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sábado, 7 de novembro de 2026
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Política

Selo Verde garantirá áreas de floresta em Mato Grosso, diz Dilceu

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Os blocos econômicos formados por grandes países com prestígio no comércio internacional operam regularmente com barreiras para dificultar a entrada de produtos em seus países e outras artimanhas para facilitar a saída de seus produtos. O comércio internacional é regulado atualmente pela Organização Mundial do Comércio (OMC) que possui como função principal o gerenciamento de acordos multilaterais para facilitar o comércio internacional.

Na visão dos produtores brasileiros, em particular, de Mato Grosso, o reflexo das barreiras impostas pelo mercado internacional, à exportação de carne, grãos, madeira e álcool, tem sido o maior entrave do desenvolvimento econômico local e principalmente, estadual. Outro obstáculo preponderante é a ausência de uma delimitação definitiva e consensuada do que vem ser o bioma de floresta amazônica no Estado. Essa indefinição é mais significativa acerca das áreas de transição. A maioria dos produtores de Mato Grosso, por não conseguir cumprir a legislação ambiental pelo alto custo e pelas suas indefinições, enfrentam, barreiras não tarifárias ao tentar comercializar seus produtos no mercado externo.

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Os municípios localizados na região norte de Mato Grosso, como Sinop, Colíder, Alta Floresta, Guarantã do Norte, dentre outros, têm sentido o impacto direto das tais barreiras. Empresários desses municípios alegam que a região de floresta de Mato Grosso tem ‘afugentado’ investidores a exemplo, das empresas Friboi e o Grupo Bertin, ambos do segmento de carne, que optaram por não estabelecerem suas bases em municípios de floresta. Usinas sucroalcooleiras, também, têm deixado de investir nesses municípios temendo o impedimento da exportação imposto por barreiras não tarifárias. O cumprimento da legislação ambiental brasileira (Código Florestal) por parte dos produtores rurais passou a ser, portanto, um dos critérios que determinam a exportação da produção agropecuária. Como a maioria dos produtores rurais não conseguem cumprir a legislação ambiental, o agronegócio mato-grossense pode começar a perder mercado. “Esta realidade infelizmente, afeta a economia da região, pois, sem indústria, não há crescimento econômico, geração de emprego e desenvolvimento”, afirma o parlamentar Dilceu Dal’Bosco.

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No entanto, há uma forma de transformar o Código Florestal numa oportunidade de negócio para o setor agropecuário de Mato Grosso, contando com o apoio de parcerias público privadas, com ONGs e empresas do agronegócio que precisam cumprir suas políticas de responsabilidade sócio-ambiental corporativas. Essa parceria pode dar aos produtores do Estado oportunidade de contínuo acesso ao mercado consumidor internacional, garantindo ainda o desenvolvimento sócio-econômico em bases sustentáveis.

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Visando levar essa idéia a frente o presidente da Comissão de Meio Ambiente, Recursos Hídrico e Minerais da Assembléia Legislativa de Mato Grosso, deputado Dal’Bosco apresentará, dentro de alguns dias, uma proposta de Termo de Cooperação Técnica entre o governo do estado por meio da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema), a ONG internacional The Nature Conservancy (TNC), visando regularizar as áreas abertas do bioma floresta do Estado de Mato Grosso, prefeituras da região norte de Mato Grosso, entidades privadas e outras entidades da sociedade civil organizada.

A intenção do parlamentar é realizar um mapeamento detalhado das propriedades rurais inseridas no bioma de floresta. Com base nesse cadastro georeferenciado, os proprietários rurais saberão ao certo onde começa e onde termina a floresta dentro das suas propriedades. Essa informação possibilitará a regularização das reservas legais e áreas de preservação permanente. De acordo com a professora da Universidade Federal de Mato Grosso, Cátia Nunes, o maior problema do Estado é o desconhecimento da própria geografia. “É preciso conhecer os biomas e ecossistemas enquanto fauna e flora”, alertando para a necessidade de se buscar identidade das florestas secas, reconhecer as áreas úmidas, o cerrado e suas diferentes fisionomias e a Amazônia.

A informação de cada propriedade rural individualmente é fundamental para iniciar o processo de regularização ambiental dos produtores e, portanto, para a continuidade dos investimentos e da exportação da produção agropecuária da região norte do estado. Enquanto a linha imaginária da Amazônia continua sendo discutida, Mato Grosso tem a oportunidade de começar a trabalhar e garantir a sua sustentabilidade sócio-econômica.

Com esta proposta, Dilceu pretende dar insumos para um processo de certificação das propriedades que já foram abertas e que estejam regularizadas, em acordo com a legislação ambiental brasileira. O objetivo do parlamentar é estimular os municípios do norte de Mato Grosso a seguir o exemplo de Lucas do Rio Verde, que, com o apoio da TNC está regularizando 100% do município. “A TNC desenvolveu junto com a Prefeitura de Lucas do Rio Verde o projeto Lucas Legal, que está realizando a regularização ambiental de todas as propriedades rurais do município a um custo de menos de 1 real por hectare”, complementou Dilceu. À exemplo de Lucas do Rio Verde, Dal’Bosco pretende ainda estimular a adoção do Selo Verde municipal, um reconhecimento internacional de que as propriedades participantes do projeto estejam de fato cumprindo a legislação ambiental brasileira, eliminando uma das barreiras não tarifárias à produção agro-pecuária de áreas de floresta.

No dia 23, Dilceu e o diretor da TNC, João Campari, vão se reunir com o secretário de Estado de Meio Ambiente, Luiz Henrique Daldegam, para dar celeridade ao projeto e definir um plano de ação.

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