Ambiente de testes · não indexado pelos buscadores
sábado, 7 de novembro de 2026
Publicidade
E-01 · 1190 × 250E-01 · 336 × 100Super banner topo
Home › Geral
Geral

Voçorocas em Mato Grosso ganham contornos de desastre ambiental

Compartilhe Facebook X Texto

Seja no Português voçoroca ou no tupi-guarani ibi-soroca, essas erosões gigantescas são sempre um problema. E dos grandes. Provocadas por fatores naturais amplificados pela ação humana, degradam o solo fértil e despejam toneladas de terra no leito de córregos e rios, assoreando, sufocando, mudando a paisagem em zonas urbanas e rurais. As voçorocas surgem em vários pontos do País e ganham contornos de tragédia ambiental na região onde nasce o Rio Araguaia, entre Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Desde a área próxima ao Parque Nacional das Emas, as erosões são encontradas em cerca de 5 mil quilômetros quadrados ou quatro vezes o tamanho da reserva federal. Nessa área, há cerca de 130 focos de voçorocas, principalmente em Mineiros e Santa Rita do Araguaia (GO) e Alto Taquarí e Alto Araguaia (MT).

Daquelas cicatrizes no chão do Cerrado, mais de duas dezenas tem o tamanho de um estádio de futebol, ou mais. As duas maiores são as voçorocas Chitolina e a Olho d´Água, bem próximas uma da outra. Quem ouviu o “estouro” de uma voçoroca, diz que o barulho é ensurdecedor, semelhante ao de uma avalanche. “A Chitolina surgiu nos anos 1990 já com quase 100 metros e chegou a desviar o curso do Araguaia. As pequenas (erosões) podem aumentar do dia para a noite se cuidados não forem tomados”, avisa a professora Selma Simões de Castro, da Universidade Federal de Goiás – UFG.

Publicidade
E-02 · 300 × 420

Sem controle, crescem as erosões e os prejuízos. Do ponto de vista econômico, a terra perde valor porque deixa de ser produtiva e pode “quebrar” muitos fazendeiros com perdas de safras e de pastagens para rebanhos. O meio ambiente não sofre menos, pois, além da cratera provocada pela voçoroca, vários mananciais recebem toneladas de terra, sofrendo assoreamento, alterações de curso e redução no volume de água em seus leitos.

Publicidade
E-03 · 600 × 100E-03 · 300 × 100
Leia tambémConta de água fica 2,76% mais cara em município do Nortão  

Conforme explica o pesquisador da Embrapa Meio Ambiente Marco Gomes, as voçorocas que ameaçam o nascedouro do Araguaia foram provocadas pela agropecuária em solos inadequados, associada ao desmatamento crescente do Cerrado. O solo extremamente arenoso da região é facilmente carregado pelas chuvas. Sem a proteção do verde, escorre com a água que cavouca a terra e dá origem às erosões. “Desmatamento e implantação de pastagens em terrenos inclinados e arenosos são as causas principais do surgimento daquelas voçorocas”, diz.

Publicidade
E-05 · 300 × 250E-05 · 300 × 250

Geologicamente falando, há várias regiões do País onde os solos ainda estão se formando, em contínua mudança, como na região do Araguaia. Lá é um extremo da chamada Formação Botucatu, com mais ou menos 200 milhões de anos e descendente de antigos desertos. Por isso, em outros pontos do Brasil, a degradação do solo e as voçorocas se multiplicam. Exemplos são o oeste paulista, em municípios como Bauru, Botucatu e Águas de São Pedro, e as regiões de Gouveia (MG) e Alegrete (RS). Também há dezenas de voçorocas nas periferias urbanas de Goiânia e de Alexânia (GO).

O destaque fica para o Vale do Rio do Peixe, em São Paulo, onde um levantamento, feito há cerca de 15 anos, revelou cerca de dois mil focos de erosões. “Sempre o que mais influencia é o mau uso do solo, associado à falta de políticas estaduais e nacionais para combater as voçorocas”, diz a professora Selma Simões, da UFG.

Em 2005, a pesquisadora publicou um amplo estudo sobre a caótica situação das nascentes do Araguaia. O documento revela que a plantação de soja começou por lá há quase quatro décadas, primeiro em terrenos mais planos e, depois, em áreas inadequadas para cultivos anuais e também para a pecuária. Hoje, nas principais lavouras crescem soja, sorgo, milho e milheto. “O uso inadequado do solo fez com que as voçorocas crescessem depois que o Cerrado foi substituído por pastagens e soja”, diz.

Conhecida pelos pastos e lavouras a perder de vista, a região de onde verte a água que alimenta o Araguaia, um dos principais afluentes do Rio Tocantins, sofreu um desmatamento implacável nos últimos 40 anos. Imagens de 1965 e de 1999 deixam claro que pouco sobrou do Cerrado na área próxima ao Parque Nacional das Emas.

Publicidade
E-04 · 600 × 100E-04 · 300 × 100

Mais sobre Geral

Ver tudo →
Publicidade
E-06 · 300 × 250
Publicidade
E-08 · 970 × 250E-08 · 300 × 250Billboard antes do rodapé