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sábado, 7 de novembro de 2026
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TCE lança programa para monitorar planos de combate à violência contra a mulher em MT

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O Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE) lançou, ontem, o programa TCE Pró-Mulher, que garantirá suporte permanente aos municípios na elaboração e execução de planos de enfrentamento à violência doméstica, por meio do. O Estado atualmente registra a terceira maior taxa de feminicídios do país, com 2,7 mortes para cada 100 mil mulheres, e somente no ano passado foram contabilizados 53 casos, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o que, para o presidente do órgão, conselheiro Sérgio Ricardo, reforça a urgência da proposta. “Este será um instrumento de transformação social. Não se trata apenas de fiscalizar, mas de orientar, induzir políticas públicas e garantir que cada município tenha metas concretas para proteger as mulheres e promover a igualdade de gênero.” 

O programa prevê a capacitação permanente de gestores, acompanhamento da execução das políticas públicas e incentivo à adoção de boas práticas, por meio de uma premiação anual que reconhecerá os municípios com melhores resultados. A estratégia dá continuidade às recomendações emitidas pelo Tribunal na conclusão da auditoria operacional, que incluem medidas para estruturar políticas locais de proteção.

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Os dados do último ano representam alta de 11% em relação a 2024, quando o Estado respondia pela maior taxa nacional de feminicídios. À época, em auditoria operacional relatada pelo presidente da Comissão Permanente de Segurança Pública, conselheiro Waldir Teis, foram constatadas diversas falhas de planejamento, especialmente referentes à falta de orçamento e de articulação institucional. Durante o evento, o conselheiro alertou que esta lacuna pode impedir o acesso dos municípios a recursos federais destinados à proteção das mulheres. “Entes federativos sem planejamento estruturado tendem a não atender os requisitos exigidos para transferências voluntárias. Para a erradicação da violência de gênero é indispensável a coordenação institucional capaz de transformar recursos em resultados concretos.” 

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“Não adianta identificarmos as falhas e depois cruzarmos os braços. Às vezes não podemos pedir para um município que não tem estrutura criar uma secretaria municipal da mulher que demande pessoas e recursos financeiros, mas podemos, por exemplo, criar alternativas, criar um gabinete, um departamento”, explicou a auditora pública Simony Jin, responsável técnica pela auditoria. 

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Pela legislação, os planos terão vigência de dez anos e deverão ser atualizados a cada dois anos, reunindo ações integradas de prevenção, atendimento às vítimas, capacitação de profissionais e responsabilização de agressores. A norma também exige a definição de um órgão responsável pelo monitoramento e pela coordenação das políticas de enfrentamento à violência contra a mulher. 

O procurador-geral do Ministério Público de Contas, Willian Brito, lembrou que a implementação de políticas de enfrentamento à violência contra a mulher será analisada nas contas anuais de governo. Em fala direcionada aos prefeitos, destacou ainda que as ações precisam sair do campo do discurso. “Essa também é uma pauta dos homens. Enquanto houver um feminicídio, nossa missão não está cumprida”, defendeu. 

Dos 53 feminicídios registrados em Mato Grosso no ano passado, 80% das vítimas não tinham nenhuma denúncia anterior e 87% não possuíam medida protetiva. “A questão da mulher, há algum tempo, deixou de ser apenas um viés da segurança pública. Nós sabemos disso e, por esse motivo, o gabinete vai atuar de forma intersecretarial, envolvendo segurança pública, saúde, assistência social e educação, para que possamos enfrentar o problema na base”, explicou o secretário-adjunto de Integração Operacional da secretaria de Estado de Segurança Pública, coronel PM Fernando Galindo.

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