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quinta-feira, 5 de novembro de 2026
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Política

Taques diz que “Justiça Eleitoral é uma farsa”

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O procurador da República, José Pedro Taques, é dono das mais importantes denúncias dos últimos tempos em Mato Grosso: atuou de maneira direta na busca dos culpados pelo assassinato do juiz Leopoldino Marques do Amaral e é apontado como o grande responsável por “destronar” de Mato Grosso o crime organizado de João Arcanjo Ribeiro, hoje preso em Montevidéu. E agora, mais do que nunca, está se notabilizando pela polêmica em declarações bombásticas. Nesta terça-feira, ao proferir palestra na Associação Mato-grossense dos Municípios sobre Direito Público Municipal, foi taxativo ao criticar a Justiça Eleitoral e também o próprio órgão que atua, o Ministério Público.

Sem esconder um misto de decepção com o andamento dos processos mais agudos, Taques é duro ao ressaltar que a impunidade e o sentimento que tal situação geral se constituem como fatores principais para gerar a corrupção no Brasil. Ele cita a necessidade da conscientização coletiva, mas seu alvo predileto é outro. “Deputados, ex-secretários e altas autoridades precisam ser responsabilizados” – acentuou, classificando o segmento como “braço político das organizações criminosas de Mato Grosso que ainda não acabaram”.

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Atualmente em São Paulo, mas com fortes vínculos com Mato Grosso, Pedro Taques acentua que as instituições no Brasil “não funcionam” adequadamente, de forma a dar o sentimento desejado pela sociedade. Citou como exemplo a questão do “Valerioduto”, esquema de caixa 2, financiamento de campanha e cooptação parlamentar montado por membros do Governo e do Partido dos Trabalhadores. Incisivo, Taques observou que “a Justiça eleitoral é uma farsa” por não ter funcionado para coibir o esquema de caixa 2 das campanhas eleitorais – cada vez mais vindo à tona.

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E não foi só. Ainda no esquema “Valerioduto”, o procurador da República afirma que o Ministério Público também “não funcionou”. Ele observou que o Brasil estava e ficou “dependendo da fofoca de Roberto Jefferson”, deputado federal recentemente cassado por ter denunciado o esquema do “mensalão” sem que apresentasse as provas contra quem o acusou. Com efeito, Taques acrescentou: “A unica instituição que funcionou foi a fofoca”. Segundo ele, crimes foram praticados “e não ficamos sabendo pelas instituições que são pagas para isso”.

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O procurador da República também se mostrou de certa forma amargo com a legislação. Para ele, “a lei não é neutra” e se constitui, em verdade, em forte instrumento de dominação. “Quem faz a lei não é nenhum santo” – lembra. Ele destacou como abominável o fato de a lei punir com cinco anos de reclusão um sujeito que subtrai um passe de ônibus e com apenas 2 anos o que desvia R$ 68 milhões. E para resumir o sentimento próprio, Taques contou uma história sobre um pensador alemão, que disse algo mais ou menos assim: “Se soubéssemos como são feitas os embutidos e as leis, não comeríamos a primeira e não atenderíamos a segunda”.

Um pouco mais genérico, José Pedro Taques se colocou contra a proibição do comércio de armas e munição no Brasil. Nem poderia ser diferente: Taques deixou claro que não acredita mesmo nas instituições. “Podemos pensar em desarmamento só no dia que em quatro minutos depois de chamada a Polícia chegar ao local” – comentou. Ele comentou ainda sobre o retrocesso que se pretende ao tirar a atribuição do Ministério Público em investigar. “O Ministério Público só não investiga na Indonésia, no Butão e no Senegal” e fechou questão tirando gosto com o prazo para extradição de João Arcanjo Ribeiro: “Só “mãe Diná”, professor King e Walter Mercado sabem. Mas com certeza ele virá”.

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