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sexta-feira, 6 de novembro de 2026
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Política

Silval aponta Nadaf como ‘mentor’ do desvio de R$ 15 milhões

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Em depoimento prestado aos delegados Alexandra Fachone e Márcio Vera, da Delegacia Especializada em Crimes Fazendários e Contra a Administração Pública (Defaz) o ex-governador Silval Barbosa afirmou que a ideia de desviar recursos públicos por meio da desapropriação do bairro Jardim Liberdade, em 2014, partiu do então secretário-chefe da Casa Civil, Pedro Nadaf.

Dentro de seu staff de governo, Nadaf era um dos responsáveis por localizar empresas que pudessem render propinas e oportunidades em que o então governador pudesse desviar dinheiro para quitar dívidas de campanha eleitoral de 2010, quando se elegeu chefe de Estado.

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“Em conversa no gabinete do declarante no ano de 2014 com Pedro Nadaf, na época dos fatos secretário da Casa Civil e Francisco Gomes de Andrade Lima Filho, vulgo Chico Lima, na época dos fatos procurador do Estado de Mato Grosso, foi tratado sobre o assunto da dívida que o interrogando tinha com Valdir Piran; que nessa conversa foi proposto por Pedro Nadaf ao interrogando que realizasse o pagamento da desapropriação da área do Jardim Liberdade, pois haveria a possibilidade do ‘retorno’ de aproximadamente R$ 10 milhões, valor esse que poderia ser utilizado para amortizar a dívida com Valdir Piran”, diz trecho do depoimento de Silval, prestado no dia 1º de junho.

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No depoimento, o ex-governador confirmou que consentiu com a proposta de seu subordinado e ordenou que os procedimentos de desapropriação fossem executados, relatou Silval aos delegados.

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Ainda conforme os autos do depoimento, passados alguns dias da conversa entre Silval Barbosa, Pedro Nadaf e Chico Lima, o então chefe da Casa Civil fez um adendo à proposta. Ao invés de somente garantir os R$ 10 milhões para pagar o empresário Valdir Piran, com quem Silval teria feito empréstimo para financiamento de campanha, ele pretendia também obter vantagem para si e para os demais agentes públicos envolvidos na desapropriação.

Desta forma, o desvio de R$ 10 milhões passou para mais de R$ 15 milhões, o que representa cerca de 50% do que foi pago à empresa Santorini Empreendimentos Imobiliários, antiga proprietária do imóvel. 

Os beneficiários seriam ele próprio, Chico Lima e o então presidente do Instituto de Terras de Mato Grosso (Intermat), Afonso Dalberto, delator na ação penal decorrente das operações Sodoma e Seven, ambas que apuram fraudes em desapropriações durante a gestão Silval.

“Alguns dias depois, Pedro Nadaf voltou a conversar com o interrogando sobre tal desapropriação, tendo dito que estavam estudando uma forma de executar a desapropriação com um retorno também para os secretários envolvidos, além dos R$ 10 milhões que seriam utilizados para amortizar a dívida do interrogando com Valdir Piran, dizendo que iria retirar um montante para ele, Pedro Nadaf, para Chico Lima, bem como para Afonso Dalberto, tendo o interrogando concordado”.

Segundo Silval Barbosa, os então secretários de Estado de Fazenda e Planejamento, Marcel de Cursi e Arnaldo Alves, respectivamente, também participaram do processo de desapropriação, garantindo o recurso necessário e o remanejamento do mesmo para pagamento do imóvel alvo de investigação, mas não sabe se eles também receberam propina ou não. “… não se recorda, contudo, se Pedro Nadaf chegou a afirmar nessa ocasião que haveria pagamentos desse dinheiro desviado também para Marcel de Cursi e Arnaldo Alves, outros dois secretários que também participaram desse esquema”, diz trecho dos autos. 

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