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domingo, 8 de novembro de 2026
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Política

Produtores rurais de MT recorrem à Justiça para garantir a BR-163

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A Associação dos Produtores Rurais do Vale do XV, em Mato Grosso, por precaução, já entrou na Justiça contra a criação do Jamanxim – justamente por acreditar que um parque nacional não permitirá o asfaltamento da rodovia e, por conseqüência, o pleno escoamento da soja matogrossense. A ampliação da área do Distrito Florestal é contestada em um mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal (processo nº 2546). O tema está sob a análise do ministro relator César Peluso.

Já para o senador paraense Flexa Ribeiro, a medida mostra “a forma irracional como o governo Lula trata a questão ambiental no Pará”. A criação do Parque Jamanxim na área proposta pelo governo federal não teria respeitado o acordo, além do próprio Zoneamento Econômico Ecológico do governo estadual aprovado na Assembléia Legislativa do Pará. “O distrito florestal não atende a um terço da necessidade econômica hoje instalada no Pará, nem permite a expansão do setor madeireiro”, pontua Flexa. O senador adianta que irá propor nova audiência pública para debater a suspensão dos planos de manejo no entorno da BR 163 e o Termo de Ajuste de Conduta assinado o ano passado junto ao Ministério Público Federal para dirimir a queda de mais de 80% da economia local – segundo alega o setor madeireiro.

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Entretanto, para a senadora Ana Julia Carepa “o que está em discussão, na verdade, é qual o modelo de desenvolvimento apropriado para a região. É a soja?” questiona. Ana Julia defende que essa discussão decorre de que “o modelo pensado pelos grandes produtores é diferente do que é pensado para os pequenos. O projeto do governo federal é o de agregar valor à produção e não apenas o extrativismo. È verdade que ainda há áreas onde esse novo modelo ainda não chegou, mas chegará pois esse é um modelo de melhoria econômica concreto”.

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Para o deputado federal petista Zé Geraldo (PA) “quem faz esse debate da inviabilidade econômica é porque ainda está no velho modelo econômico, vigente há mais de 50 anos. O novo modelo de legalização fundiária permite à União se apoderar daquilo que é seu e a partir daí poder dar um destino, mas para aquilo que essas áreas estão vocacionadas”.

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Oitenta por cento do território paraense estão envolvidos nas diversas modalidades de “reservas”. Elas poderão ser exploradas a partir da vocação econômica da região, que é a florestal. O que não vai mais acontecer é a substituição da floresta por soja. O que eles acreditavam é que essa área do entorno da BR 163 para soja e pecuária. O governo (federal) se antecipou para que o projeto de asfaltamento pudesse garantir que não haveria grilagem de terras nessa área, pois já há uma grande faixa desflorestada à margem da rodovia.

Dentre o “eles” citado pelo deputado, está o empresário Cecílio do Rego Almeida, acusado pela Procuradoria Geral da República pela grilagem de, pelo menos, 5 milhões de hectares de terras o Pará. Zé Geraldo garante que nesses dois milhões de hectares de terras serão assentadas 5 mil famílias, porém, no modelo de assentamento florestal. As áreas de Trairão, Novo Progresso e Castelo do Sonho (no município de Altamira) já estão sendo georreferenciadas para a reforma agrária.

O deputado cita o exemplo dos 100 quilômetros da Rodovia Transamazônica que estão situados dentro do Parque Nacional de Itaituba – Jacareacanga e portanto não vê problema algum da rodovia Santarém-Cuiabá também passar por dentro de uma área de reserva. “Ela continua sendo uma rodovia para escoamento, o que não poderá haver é plantio e soja às margens da rodovia” . O petista ainda garante que com recursos do Banco Mundial será possível que o início do asfaltamento saia ainda em 2006 – nesse caso, até o mês de junho em função dos impedimentos impostos pelo período eleitoral na liberação de dinheiro para obras públicas. Zé Geraldo pretende propor que a camada de asfalto seja iniciada pelas extremidades da rodovia, tanto no Pará quanto no Mato Grosso.

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