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quarta-feira, 4 de novembro de 2026
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Política

Nova camisinha feminina evita estupro

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Uma inventora sul-africana apresentou hoje uma camisinha feminina antiestupro, que se gruda ao pênis do agressor. A invenção tem o objetivo de reduzir uma das maiores taxas de estupros do mundo.

“Ninguém nunca fez nada para ajudar as mulheres, para que elas não sejam estupradas, e achei que já estava mais que na hora”, disse Sonette Ehlers, 57, sobre o “rapex” (algo como “estuprex”), um dispositivo parecido com um absorvente interno (ou “tampax”) que já causa polêmica no país.

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As estatísticas policiais mostram que mais de 50 mil estupros são registrados por ano na África do Sul. Especialistas dizem que o número real pode ser o quádruplo disso, já que a maioria dos estupros em que os agressores são pessoas conhecidas, ou em que a vítima é criança, não é denunciada.

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Ehlers disse que o “rapex” gruda-se à pele do agressor, dando à vítima tempo para fugir, além de ajudar a identificar os culpados. “Ele vai estar muito preocupado a essa altura”, disse ela a repórteres em Kleinmond, uma pequena cidade turística cerca de 100 km a leste da Cidade do Cabo. “Garanto que vai doer bastante. Ele vai direto para um hospital.”

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O dispositivo, feito de látex e fixado por farpas afiadas, só pode ser removido cirurgicamente. Assim, a equipe do hospital vai ficar sabendo do estupro e denunciá-lo à polícia, explicou a inventora.

O “rapex” também reduz a possibilidade de a mulher ficar grávida ou pegar aids e outras doenças sexualmente transmissíveis, já que funciona como uma camisinha feminina.

A África do Sul é o país que mais tem vítimas do HIV/Aids no mundo todo. Um em cada nove de seus 45 milhões de habitantes está infectado.

Ehlers, que apresentou um protótipo do dispositivo na quarta-feira, disse que as mulheres já o testaram para ver se ele pode ser usado confortavelmente, mas que a camisinha nunca foi testada num homem de verdade, apenas num modelo de plástico. A produção deve começar no ano que vem.

Entretanto, o “rapex” causou preocupação entre ativistas antiestupro, que temem que ele faça aumentar a violência contra as mulheres. “Se a vítima estiver usando um dispositivo como esse, o agressor pode ficar ainda mais furioso, o que pode causar mais danos”, disse Sam Waterhouse, da entidade Rape Crisis. Outras pessoas acusaram a camisinha de ser um método medieval e bárbaro, adjetivos que, para Ehlers, deveriam ser usados para o estupro.

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