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sábado, 7 de novembro de 2026
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Política

Mais 3 desembargadores em MT podem ser punidos com aposentadorias

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A decisão do Conselho não vai terminar, já que outras ações administrativas ainda estão em curso e poderão nos próximos dias levar ao afastamento de mais três desembargadores: Paulo Lessa, que era presidente do TJ, quando ocorreu a auditoria, e Orlando Perri, que era o corregedor à época, também estão sob investigação por terem sido beneficiados com o recebimento de verbas milionárias. O processo contra o desembargador José Jurandir de Lima é por nepotismo, porque teria contratado o filho, que cursava medicina em outro Estado.

Pareceres dos conselheiros-relatores do CNJ é para afastar Lessa, Perri e Jurandir, assim que publicados os atos. O ex-presidente Paulo Lessa considerou a decisão do CNJ como um marco e disse não temer investigações a respeito de sua conduta como dirigente da instituição. “Não tenho o que temer. Agi de conformidade com minha consciência”, disse Lessa.

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O ex-corregedor-geral Orlando de Almeida Perri denunciou que houve recursos no CNJ para que os julgamentos acontecessem no Pleno do Tribunal de Justiça, “tudo para acabar em pizza”, disse.

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“Jamais houve manipulação dos resultados ou das provas, tanto que novas provas obtidas pela PF e pelo CNJ são semelhantes ao relatório que enviamos ao Conselho”, disse.

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O desembargador Jurandir Lima não foi localizado para falar sobre o assunto.

Vagas – As aposentadorias no Pleno do Tribunal de Justiça e de juízes abrirão vagas em todas as instâncias. O preenchimento acontece alternadamente entre critérios de merecimento e antiguidade. O primeiro só pode ser disputado pela quinta parte dos juízes mais antigos de entrância especial. Com a decisão de aposentadoria dos três desembargadores e mais a outra vaga que se encontra aberta por causa da suspensão do juiz Fernando Miranda Rocha, são quatro vagas. Se a decisão do CNJ for mantida, abrirá vaga para o mais antigo, no caso a juíza Maria Erotides Kneipp. As vagas referentes à aposentadoria de Ferreira e Travassos serão preenchidas pelo critério de merecimento e a de Cury, por antiguidade.

Os nomes que figuram como mais antigos são: Luiz Carlos Costa; Cirio Miotto; Pedro Sakamoto; Rondon Bassil Dower Filho; José Zuquim Nogueira; Adilson Polegato de Freitas; Sebastião Barbosa Farias; Cezar Francisco Bassan; Elinaldo Veloso Gomes; Francisco Braulio Vieira; Marilsen Adário Andrade; Nilza Maria Possas de Carvalho; Helena Maria Bezerra; Dirceu dos Santos; João Ferreira Filho; Serly Marcondes e Flávia Catarina Reis.

OAB – O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante, declarou que o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) funcionou como uma “filial da loja maçônica Grande Oriente” e que a aposentadoria serviu como benefício e não punição aos magistrados. Cavalcante fez estas declarações no CNJ, onde a OAB tem direito a se pronunciar.

O presidente da OAB em Mato Grosso, Cláudio Stábile, afirmou que a aposentadoria compulsória serviu para acabar com a “nuvem de desconfiança” que estava sobre o TJMT. Ele destacou que representantes do CNJ asseguraram-lhe que esse é apenas o começo de uma transformação no Judiciário brasileiro.

Stábile lembrou que no processo administrativo disciplinar requerido pelo CNJ a punição máxima que a instituição poderia apresentar é a aposentadoria compulsória. “A perda de vantagens, de benefícios dos magistrados só pode ser feita pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça)”.

Visita da ministra – O clima no Palácio Paiaguás, durante visita da ministra Dilma Rousseff, foi tenso porque em Brasília o CNJ afastava magistrados. Poucos se manifestaram a respeito da decisão. O governador Blairo Maggi (PR) disse lamentar a decisão porque muitos deles são seus amigos. O presidente da Fiemt, Mauro Mendes, assinalou que o Conselho levou em consideração o ordenamento jurídico e apreciou de acordo com o que prevê a lei. A coordenadora da bancada de Mato Grosso no Congresso, senadora Serys Marly, disse que encara como normal o ato administrativo.

Recurso – Os magistrados afastados ontem informaram que vão recorrer da decisão ao Supremo Tribunal Federal. Caso o STF não acate o pedido enquanto o mérito da questão é julgado, o Tribunal de Justiça terá que convocar imediatamente eleição para presidente. Pela Lei Orgânica da Magistratura (Lomam), o vice-presidente só pode substituir o titular no caso de férias e licença médica. Ele não é sucessor natural do titular.

Ameaças – O desembargador Orlando Perri, que encaminhou as denúncias ao CNJ que culminaram no afastamento de dez magistrados, chegou a ser ameaçado de morte em julho de 2008, quando investigava pagamentos irregulares. Perri disse que uma pessoa ligou para a Corregedoria e pediu para falar com o ele, que não estava. A pessoa voltou a ligar e deixou o recado: “Avisa para ele que contrataram um pessoa para matá-lo”, disse a voz masculina.

O desembargador procurou o secretário de Segurança Pública, Diógenes Curado, que nomeou um delegado para investigar o fato.

Ministério Público – O procurador-geral de Justiça, Marcelo Ferra, informou que há mais de um ano o Ministério Público propôs ação civil pública por improbidade administrativa contra José Ferreira Leite, José Tadeu Cury e o juiz Marcelo de Souza Barros para forçar a devolução do dinheiro desviado. Contudo, o processo está parado no pleno do TJ.

“Tudo que o Ministério Público de Mato Grosso poderia ter feito nesse caso, foi feito. Por isso não entendo que agora o CNJ determine o encaminhamento da ação para o Ministério Público apurar algo que já foi investigado e que está parado no Tribunal de Justiça”, disse Marcelo Ferra.

 

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