Maioria no conselho decide não cassar Pedro Henry
O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados acaba de absolver, por 9 votos a 5, o deputado mato-grossense Pedro Henry, acusado de suposto envolvimento no esquema do mensalão. O deputado Orlando Fantazzini (PSOL-SP) apontou que Henry quebrou o decoro parlamentar. Mas a maioria do conselho considerou que faltaram provas das denúncias de Roberto Jefferson, que apontou Henry de suposto envolvimento no mensalão. Foi designado o deputado paulista Carlos Sampaio (PSDB) para fazer relatório, que será encaminhado ao plenário, defendendo a absolvição de Henry. Esta é a primeira vez, no caso mensalão, que um deputado é inocentado pelo Conselho de Ética. Se confirmada em plenário, Pedro Henry sai fortalecido inclusive para disputar uma vaga a senador por Mato Grosso, na base aliada do governador Blairo Maggi (PPS).
Sessão
O relator disse que não feriu nenhum princípio constitucional para fazer seu relatório.
“Foi dado prazo de 5 sessões para que apresentasse sua defesa e ele abriu mão”,”acrescentou. Fantazzini relatou que “Henry quebrou o decoro parlamentar por ter participado, como líder do partido, de negociações espúrias”. Tais negociações resultaram em saques das contas do empresário Marcos Valério de Souza pelo ex-tesoureiro do PP João Cláudio Genu. Em seu parecer, Fantazzini afirma que teve certeza do envolvimento de Pedro Henry no chamado “valerioduto” depois que o deputado Pedro Corrêa (PP-PE) deixou claro, em depoimento no conselho, o envolvimento de Henry no esquema de pagamento dos honorários do advogado que representou o ex-deputado Ronivon Santiago.
Henry chegou ao conselho com seu advogado José Antonio Alvarez e defendeu-se das acusações. Disse que é vítima de”denúncias infundadas baseadas exclusivamente nos depoimentos do ex-deputado Roberto Jefferson”. O parlamentar disse que nunca manteve contato com o empresário Marcos Valério de Souza ou com o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares.

Henry afirmou ainda que nunca participou de reunião com integrantes do governo ou do PT para tratar de assuntos financeiros que se refletiriam em votações de matérias no Congresso. Ele disse que soube das operações financeiras entre PT e PP pela imprensa.
O acusado também informou que, enquanto ele liderava o PP, o ex-tesoureiro do partido João Cláudio Genu não era funcionário da liderança. “Ele só foi nomeado depois que eu deixei a função”, justificou, garantindo que não cometeu “qualquer ilícito ao longo do mandato”.
Minutos antes da votação, ele fez um rápido discurso. Pedro Henry disse que sempre foi tratado com respeito e agradeceu os integrantes do conselho. “Ouso fazer um pedido: maior agilidade possivel para me submeter a vontade do plenário e abro mão de qualquer possibilidade regimental. Estou de consciência limpa. Agradeço a Deus por ter me dado forças estes 9 meses que estou suportando estas acusações. Sou inocente”, finalizou.







