Lula: PT vai sangrar muito até recuperar credibilidade
Lula disse há pouco que “o PT vai sangrar muito para se colocar de novo diante da sociedade com a credibilidade que conquistou.” Referindo-se à contabilidade clandestina de seu partido, sob investigação do Congresso, da Polícia Federal e do Ministério Público, o presidente afirmou que os erros cometidos pelo PT são de “uma gravidade incomensurável” e “de difícil reparação”.
Na opinião do presidente, “o partido tem consciência da encalacrada em que se meteu. E só a verdade vai dar ao PT condições de recuperar o prestígio que conquistou junto à sociedade.” As declarações de Lula, gravadas na última quinta-feira, foram veiculadas há pouco no programa “Fantástico”, da Rede Globo.
Trata-se daquela entrevista em que, num trecho já divulgado, Lula declarou que o escândalo do mensalão foi “uma facada nas minhas costas”. O presidente foi taxativo ao classificar de “erros” algumas das atitudes de dirigentes do PT que geraram a crise política iniciada em maio.

“São erros. Tanto que foram punidos. O (José) Genoino saiu (da presidência do PT), Delubio (Soares) saiu (da Tesouraria do partido), o Silvinho (Pereira, ex-secretário geral) já não está no PT, o (José) Dirceu perdeu o mandato.”
Lula foi além: “Para mim, a apuração tem que ser feita entre amigos do presidente e os que são adversários. Combate à corrupção não pode ter cor partidária, coloração ideológica. O que é preciso é que prevaleça a ética. O PT é muito grande, se três, quatro, 20 pessoas cometem erros, não significa que o partido todo cometeu os mesmos erros.”
Questionado sobre a alegação de que desconhecia as transgressões que produziram a crise, Lula disse: “Se eu tivesse condições de saber não teria acontecido. Na medida em quem eu soube, as providências foram tomadas. Foram afastados os que tinham que ser afastados, foram punidos os que tinham que ser punidos. O PT também fez a sua parte. Na hora que, sobre qualquer cidadão brasileiro, pesar qualquer suspeita, quero que ele tenha direito de, antes de ser condenado à forca, ter direito a uma investigação e a um julgamento.”







