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quinta-feira, 5 de novembro de 2026
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Política

Gastos com funcionários ultrapassam limites no governo do Estado

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O gasto do governo com o salários dos servidores públicos de Mato Grosso ultrapassou todos os limites previstos na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). É o que aponta relatório das contas do segundo quadrimestre deste ano, divulgado esta semana no Diário Oficial. Os números apresentados mostram que o pagamento da folha consumiu 51,2% da Receita Corrente Líquida (RCL) do período, 2,2% acima do limite máximo da lei. De acordo com a Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz), problemas pontuais e conjunturais são responsáveis pelo desequilíbrio, que deverá tornar o ano de 2016 ainda mais difícil.

O documento aponta que a despesa com pessoal, incluindo os ativos, inativos e pensionistas, ultrapassou R$ 5,5 bilhões, enquanto que a RCL foi de R$ 10,58 bi. Os gastos com os salários estão mais de R$ 200 milhões acima dos 49%, limite máximo previsto na LRF. Para o secretário de Fazenda, Paulo Brustolin, as medidas tomadas pela gestão, que resultaram em enxugamento da máquina e em maior controle dos pagamentos atenuaram o quadro. “Desde o primeiro dia estamos tomando, por determinação do governador Pedro Taques (PSDB), medidas que dão mais transparência à gestão e controle dos gastos”.

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O secretário adjunto de Tesouro, Carlos Rocha explica que o desequilíbrio é causado por uma conjunção de fatores. “Por um lado temos uma herança da administração passada, que concedeu aumentos a diversas categorias sem levar em consideração o impacto que isso teria nas contas públicas e por outro a crise que resulta na diminuição da atividade econômica e, consequentemente, na arrecadação do Estado”.

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Rocha pontua que, em um cenário de normalidade, em que Mato Grosso apresentava crescimento duas vezes maior que o do Brasil, a arrecadação teria ultrapassado R$ 11 bilhões, fazendo com que a folha estivesse dentro do limite. Conforme a LRF, o Estado tem dois quadrimestres para reenquadrar os gastos com servidores aos limites previstos.

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No entanto, o prazo é dobrado quando o país tem taxa de crescimento inferior a 1 ou negativa. “Como vivemos este cenário em 2015, o prazo para a readequação da folha de pagamento no limite estabelecido pela LRF é dobrado. Neste caso, a gestão tem até agosto do ano que vem para a resolução desta situação”, destaca Brustolin. Rocha complementa afirmando que esta é a primeira vez que isso ocorre desde que a LRF foi criada.

Para garantir esse prazo, técnicos do Executivo já solicitaram ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) a elaboração de um Termo de Ajustamento de Gestão (TAG). Farão parte do documento as medidas a serem tomadas nos próximos meses para que os limites sejam respeitados.

“Devemos ter um posicionamento sobre isso muito em breve”, prevê o secretário adjunto. Outro problema gerado pelo desequilíbrio será sentido pelos servidores ao longo de 2016. É que a legislação prevê que enquanto os gastos com a folha de pagamentos não forem equalizados o Estado não pode contratar novos servidores e nem conceder reajustes ao funcionalismo. “O ano que vem será bastante crítico”, aponta Rocha.

O secretário do Tesouro defende mudanças na legislação, no sentido de que os reajustes não ultrapassem a variação do crescimento da arrecadação. “Os salários não podem engolir a verba para investimento, como está ocorrendo hoje”.

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