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quarta-feira, 4 de novembro de 2026
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Política

Fase de oitivas de empresas do Prodeic é finalizada na CPI da Sonegação

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A fase de oitivas de representantes de empresas que receberam incentivos por meio do Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial (Prodeic) foi encerrada, hoje, durante a 99ª reunião ordinária da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Renúncia e Sonegação Fiscal. Os diretores das empresas Master Agroindustrial e Santana Têxtil MT prestaram depoimentos para esclarecer o não cumprimento de metas e até a questão de um débito pendente com o Estado. Ambas ainda não apresentaram todos os documentos requeridos pela CPI que comprovem a regularidade, porém terão mais nove dias para atender as solicitações.

O diretor da primeira empresa, Norival de Oliveira Neto, informou que a empresa era fiscalizada todos os anos pela equipe da antiga Secretaria de Estado de Indústria, Comércio, Minas e Energia. Ele alegou ainda que apresentou alguns documentos referentes a alguns períodos, mas disse que providenciará para atender as solicitações da CPI.

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Entre os questionamentos que foram feitos pelo deputado Max Russi (PSB) estavam os relacionados ao programa Primeiro Emprego, qualificação de mão de obra, responsabilidade social e participação de lucro.

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Neto alegou que todos foram cumpridos, porém Max Russi destacou que a auditoria da CPI foi feita pelo Tribunal de Contas do Estado baseada nos documentos encontrados na Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec) e, após a averiguação, foi solicitado a todas as empresas que justificassem a ausência do cumprimento das metas – fato que não ocorreu. Ao final da oitiva, Norival de Oliveira  Neto disse que a empresa tem passado por um constrangimento devido às investigações da CPI e alguns clientes já deixaram de comprar.

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O presidente da comissão, deputado José Carlos do Pátio (SD), destacou que a CPI não tem intenção de prejudicar os empresários em Mato Grosso, pelo contrário, deve garantir um melhor ambiente para investimentos no estado. “Não queremos prejudicar nenhuma empresa. A CPI vem trabalhando de maneira isenta, ouvindo desde os maiores, médios aos pequenos empresários. Trabalhamos para garantir que a investigação acabe com empresas oportunistas que usam laranjas e se beneficiam sem atender as contrapartidas”, respondeu.

Marcos José dos Santos, diretor financeiro da segunda empresa, esclareceu os motivos que levaram a empresa a desativar a produção na cidade de Rondonópolis e promovido demissão em massa, o que também causou um grande impacto social no município.

O diretor alega que o momento econômico pelo qual o país passa complicou o setor têxtil e a empresa acabou reduzindo sua capacidade de produção devido à desvalorização da moeda e à entrada de produtos chineses a preços muito abaixo no país. Como a empresa tem origem no Ceará, no ano passado, houve entendimento que seria melhor paralisar as atividades em Mato Grosso e priorizar a cidade matriz da empresa.

Marcos José, entretanto, explicou que está em fase de negociação com o atual governador para voltar a funcionar em Rondonópolis e, talvez, já no plantio de algodão de julho deste ano, uma parte da indústria volte à ativa.

O empresário informou ainda que atualmente é mais econômico produzir em Mato Grosso, reduzir custos com frete da matéria-prima e outros benefícios como a questão dos gastos com o ICMS da energia. Ele contou que anteriormente, a indústria gastava cerca de 30% com o pagamento do ICMS da energia, enquanto, o normal em outros lugares é 8%. Este também foi um dos motivos que levaram a empresa deixar o estado.

Questionado pelo deputado Emanuel Pinheiro (PR) sobre um débito de R$ 4,6 milhões com o Estado, o diretor informou que quando foi assinado o termo de compromisso, o governo se comprometeu em dar toda infraestrutura necessária, como a área, terraplanagem, pavimentação, energia de alta tensão, porém, estes investimentos não aconteceram e a empresa teve de arcar com alguns custos. “Entendemos que fomos credores do Estado”.

Ainda sobre a ausência de alguns documentos, o empresário terá mais nove dias para atender à solicitação da CPI. Emanuel Pinheiro reconheceu a importância de a empresa voltar a atuar em Mato Grosso, principalmente pela garantia de emprego, o que gera renda para o município e estado.

Ao todo, a empresa têxtil empregava 1200 pessoas, atualmente apenas 600 trabalham na fábrica. A expectativa é de que volte a recontratar. Além disso, há ainda a expectativa de Marcos José com a criação da Zona de Processamento de Exportação em Cáceres, onde poderá ser um polo para incentivar os arranjos produtivos. O deputado Dr. Leonardo (PSD) aproveitou para ressaltar a importância da criação da ZPE, que garantirá ainda mais investimentos e a vinda de novas empresas para Mato Grosso.

Na próxima terça-feira (21), o diretor da JBS, Francisco de Assis e Silva, irá prestar esclarecimento à CPI tanto sobre os incentivos recebidos pelo Prodeic como no regime especial. O presidente da CPI informou que a empresa o indicou para vir representá-la, diante da ausência do presidente Wesley Batista, que solicitou o adiamento da oitiva por diversas vezes.

Por outro lado, Pátio ponderou que, caso Francisco de Assis não atenda a demanda da CPI, Batista pode voltar a ser convocado. Este diretor já havia sido convocado, porém, na época, acabou sendo liberado de depor, pois era advogado da empresa. Agora ganhou cargo de diretor. 

A informação é da assessoria

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