Falta empenho para asfaltar BR-163 do Nortão ao Pará, diz coordenador
Empresários do setor madeireiro e do agronegócio de Sinop e Sorriso estiveram reunidos, na última sexta-feira,com o coordenador do GTI – Grupo de Trabalho Interministerial do Governo Federal, Julio Myragaia, para discutir novas alternativas da conclusão da pavimentação da BR-163 no Nortão. O asfaltamento é uma luta dos setores há muitos anos e, segundo Myragaia, está perto de se concretizar.
Myragaia explicou ao Só Notícias que uma das alternativas para que a obra inicie ainda este ano é a determinação do Governo Federal para que o Exército execute a obra. “O plano está concluído. O que precisamos é equacionar o modelo da pavimentação, que permanece o original do Governo, da concessão pública. Mas os procedimentos são muito demorados, referentes a procedimentos legais, o período de processo licitatório, publicação de editais, apreciação pelo Tribunal de Contas da União e as obras não iniciariam este ano. E uma possibilidade levantada pelo Comitê Pró BR-163 é que os batalhões iniciem as obras na rodovia. Como está sendo realizada no nordeste brasileiro”, salientou, lembrando que foram o 8º e o 9º Batalhão de Engenharia do Exercito Brasileiro, que implantaram a BR-163 no Nortão.
Mas Myragaia criticou a falta de mobilização e empenho das forças políticas do Estado em prol a obra. Ele citou que foram alocados, por meio de emendas parlamentares, cerca de R$ 60 milhões para a BR-158, no nordeste de Mato Grosso, e que nenhum valor foi direcionado a 163. “Nós vemos isso com uma certa preocupação porque isso significa que o conjunto das bancadas do Estado estão deixando de lado a 163, e olhando com mais atenção a 158, não que ela não mereça, mas, se tivesse que ter prioriedade, deveria ser essa região. Enquanto o Centro-norte produz cerca 7 bilhões de toneladas de soja, no nordeste se produz apenas um terço disso”, ressaltou.

Pelo atual modelo do governo, a pavimentação seria feita por uma concessão pública, em que a obra é executada por empresas privadas, que teriam direito de cobrar pedágio. Pelo projeto devem ser investidos R$1 bilhão para asfaltar os 900 km da rodovia que ainda não são pavimentados.
O presidente do Sindicato Rural de Sinop, Antônio Galvan, também ressaltou as dificuldades que o setor enfrenta hoje, principalmente com buracos e atoleiros, para o transporte da safra. “A conclusão da BR-163 seria a salvação para toda a região Norte, não só para Sinop, já que é muito mais viável a exportão por Santarém do que Paranaguá, principalmente para o agronegócio que representa 70% da economia do Estado”, enfatizou. A pavimentação permitirá o escoamento da produção, tanto do setor agropecuário, quanto madeireiro e outros segmentos, proporcionando uma economia de US$ 30 por tonelada, já que terá mais rapides e menos gastos do que para os portos e Santos (SP) e Paranaguá (PR).
A rodovia passa em 37 municípios do Mato Grosso, 28 do Pará e 06 do Amazonas, atravessando uma das regiões mais importantes da Amazônia do ponto de vista do potencial econômico, diversidade biológica, riquezas naturais, e diversidade étnica e cultural.
Participaram da reunião o secretário de Agricultura de Sinop, Alexandre Picin -que representou o prefeito Nilson Leitão-, vereador de Sorriso, Santinho Salerno, o presidente da Associação de Desenvolvimento Regional para a Conclusão da BR-163 (Comitê BR-163), Antônio Jorge Baldo, representantes da Codenorte – Conselho de Desenvolvimento do Norte de Mato Grosso, Sindusmad- Sindicato das Indústrias Madeireiras do Norte de Mato Grosso- entre outros.







