Empresário diz que recebia 15% da verba desviada da Câmara de Cuiabá
Em depoimento à Delegacia Fazendária, o empresário Silas Lino de Oliveira, representante das empresas que venciam a maioria das licitações fraudulentas na gestão de Chica Nunes, disse que recebia de 10% a 15% do dinheiro desviado. Afirmou ainda que repassava o restante em dinheiro pessoalmente aos parentes da deputada.
O inquérito traz ainda o depoimento da contadora Ana Maria, que confirmou ter recebido para manter as empresas funcionando apenas para participar das licitações simuladas na Câmara. Sobre Silas, ele confirmou aos delegados que, apesar de ter vencido a maioria das licitações, nunca entregou nenhum produto ao Legislativo.
Vários empresários também admitem que nunca tiveram qualquer relação comercial com a Câmara, apesar de diversas notas fiscais de suas empresas terem sido encontradas pela Delegacia Fazendária no Legislativo. Os documentos mostram compras inusitadas, como aquisição de 2,4 mil litros de refrigerante, 228 litros de leite, entre outros. Chica garante que as compras foram necessárias devido ao grande números de sessões itinerantes, especiais e entregas de homenagens a diversas pessoas entre os anos de 2005 e 2006.

Defesa – Chica se mantém na Assembléia Legislativa por força de uma liminar, já que foi cassada por compra de votos. O seu advogado, Ricardo Almeida, disse ontem que o pedido de prisão fere os direitos constitucionais. “Não há dúvida que as autoridades policiais estão utilizando de forma equivocada institutos jurídicos como o da prisão preventiva, que tem regramento próprio, específico e excepcional, como instrumento de pré-julgamento perante a opinião pública, o que, a nosso ver, não contribui para o esclarecimento da verdade”, rebate.







