‘Desiludido’ e citado em delações, Maggi avalia não disputar reeleição ao Senado
Passando por um ano conturbado, permeado pelo enfrentamento da operação Carne Fraca da Polícia Federal, citado em delações premiadas na operação Lava Jato e recentemente do ex-secretário estadual Pedro Nadaf, o ministro da Agricultura Blairo Maggi (PP) pensa em deixar a vida pública.
Durante sua passagem em Cuiabá para participar de uma feira agropecuária, o ex-governador de Mato Grosso por dois mandatos admitiu que sua candidatura à reeleição no Senado, em 2018 (até alguns meses dada como certa por ele mesmo), ainda será avaliada. “Está totalmente indefinido. Eu não sei nem se vou disputar essas eleições na frente. É uma coisa que a gente tem que avaliar com cuidado”.
Blairo lembrou que quando entrou na política, em 2003, o fez com prazo determinado, o que acabou se prolongando porque gostou de fazer política. Por outro lado, destacou que tem outros planos. “Eu entrei na política pra ficar quatro anos, fiquei oito. Depois, era pra sair e fiquei mais oito no Senado. Eu gosto do que faço, mas também tenho outras coisas pra fazer. E não é uma vida fácil”.

Segundo o ministro, a responsabilidade sobre assuntos que afetam a sociedade acabaram o afastando do convívio familiar. “Uma vez que você conquista um cargo desse, tem que dar à sociedade aquilo que ela acreditou em você e isso tira muito da sua vida pessoal, te afasta muito da família do convívio do dia a dia. Nós, eu e os outros parlamentares, temos uma vida de cigano, nós não temos nem turma aqui em Cuiabá, nem no nosso município, não temos turma lá [em Brasília]. O tempo inteiro viajando pra cima e pra baixo, isso também tem um limite. Tem um limite e eu vou avaliar isso com muita tranquilidade lá na frente”, disse em tom de desabafo.
Apesar de demonstrar aparente cansaço em relação aos cargos públicos, o ministro e ex-governador de Mato Grosso afirmou que, mesmo que não dispute a eleição no ano que vem, irá participar do pleito de alguma forma. “Claro que mesmo não disputando, participar a gente sempre participa. Somos entes políticos e podemos ajudar nas conversações”.
Questionado, por exemplo, se vai apoiar na campanha de reeleição do governador Pedro Taques (PSDB), Blairo Maggi isentou-se da discussão e destacou que sua agremiação, o Partido Progressista (PP) não tem lado definido.
“Eu não defendo nada. O PP aqui tem uma posição de neutralidade em relação ao governo, apoia aquilo que tem que apoiar, trabalha pra que o Estado ganhe um rumo, que possa diminuir as suas dificuldades. O PP não tem uma posição definida e deve discutir isso no futuro”.







