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sexta-feira, 6 de novembro de 2026
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Política

Caixa 2: candidato a prefeito em Mato Grosso declarou muito menos do que gastou

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Na condição de presidente regional do PT e de candidato pela coligação Amo Cuiabá, Alexandre César assinou uma confissão de dívida de R$ 1.197.258,00 com a Maior Comércio e Serviços Gráficos, do empresário Leonir Rodrigues da Silva Júnior, do mesmo grupo da Gráfica Atalaia. A dívida se refere à prestação de serviços de confecção de bonés, camisetas e adesivos à campanha.

Segundo o jornal A Gazeta, desse valor, somente R$ 299.450,00 foram declarados na prestação de contas apresentada à Justiça Eleitoral como dívida pendente com a empresa. Os R$ 897.808,00, nesse caso, fariam parte de caixa 2.

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O documento obtido por A Gazeta surge uma semana após o economista Walther Dorighelo ingressar com ação trabalhista para cobrar dívida não declarada pelo PT de R$ 501 mil, o que revelou os primeiros indícios de caixa 2.

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Agora surge prova cabal de que o partido operou mesmo com uma contabilidade paralela na campanha milionária de Alexandre César para prefeito de Cuiabá, no ano passado.

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Já há indícios de que dívidas não contabilizadas da campanha de Alexandre somam R$ 1,4 milhão, considerando apenas duas cobranças. Uma foi feita por Dorighelo, que garante ter recebido somente R$ 99 mil de um contrato verbal que garantia R$ 600 mil. A outra é da confissão de dívida de R$ 1,1 milhão em que R$ 898,8 mil não aparecem nos cálculos oficiais.

Junto à Justiça Eleitoral, que aprovou as contas com ressalvas, o PT, porém, só reconhece débito de R$ 964 mil.

Com duas páginas, o documento – confira fac-símile nesta página -, tem firma reconhecida no Cartório do 6º Ofício. Pelo PT, além das duas assinaturas de Alexandre, também assinaram a confissão de dívida o secretário regional de Finanças, Vicente Monge Dias, e a tesoureira da coligação Amo Cuiabá, Kátia Auxiliadora Xavier. Por parte da empresa credora, assina o sócio-proprietário Leonir Júnior.

Batizado de Instrumento Particular de Confissão de Dívida Extrajudicial, o documento foi registrado em cartório em 06 de janeiro deste ano, portanto, 69 dias após a derrota do petista no segundo turno. No caso da assinatura de Kátia Auxiliadora, administradora financeira da campanha, o reconhecimento de firma se deu no 7º Ofício (Serviço Notarial e Registral), em 14 de janeiro.

Pelo acordo formal, o Partido dos Trabalhadores se comprometeu a pagar a dívida de R$ 1,197 milhão até 30 de março deste ano, uma demonstração de que o partido, sob Alexandre César, apostava todas as esperanças de, primeiro chegar ao Palácio Alencastro, para, depois quitar o débito junto à empresa Maior Comércio e Serviços Gráficos, situada à rua Barão de Melgaço, em Cuiabá.

Cláusulas – O documento tem cinco cláusulas. O primeiro diz o seguinte: “O confitente (PT, através do diretório estadual) se constitui e confessa devedor da importância líquida e certa de R$ 1.197.258,00, originada de confecção de bonés, camisetas, adesivos e outros brindes promocionais, para o candidato a prefeito de Cuiabá nas eleições de 2004, Alexandre Luiz Cesar”.

Na segunda cláusula, o partido assume a responsabilidade de efetuar o pagamento até 30 de março deste ano. Caso contrário, promete pagar juro de 4% ao mês, conforme estabelecido no item III do contrato.

A quarta cláusula traz os seguintes termos: “As partes concordam que o presente instrumento servirá como Título Executivo Extrajudicial, nos termos do Artigo 585, Inciso II, do Código Processual Civil”. Por fim, a quinta cláusula cita que, “para dirimir dúvidas que possam advir do presente instrumento as partes elegem o Foro da Comarca de Cuiabá, renunciando a qualquer outro, por mais privilegiado que possa vir a ser”.

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