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quinta-feira, 5 de novembro de 2026
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Política

BR-163 pode levar 14 anos para ser duplicada, anuncia ministro

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O governo federal deve aumentar o prazo para a concessionária terminar o restante da duplicação da BR-163, entre Itiquira, na divisa com o Mato Grosso do Sul, e Sinop. Conforme o contrato de concessão assinado em 2013, a empresa vencedora da licitação teria cinco anos para duplicar 453 quilômetros da rodovia federal. Agora, conforme anúncio feito ontem pelo ministro dos Transportes, Portos e Aviação Civil, Maurício Quintella, o prazo pode chegar a 14 anos.

“Essa é a medida mais aguardada do setor. É necessário fazer a repactuação dos contratos atuais de rodovias”, disse o ministro. Segundo ele, os contratos atuais não condicionam o investimento ao volume de tráfego. “Agora, será criado um gatilho que vai determinar o prazo para a construção de terceira faixa, de trechos da rodovia até a duplicação integral. Ninguém vai perder, nem a União, nem os usuários, porque os contratos passarão por revisão da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres)”, afirmou, conforme informações divulgadas pela assessoria da Confederação Nacional dos Transportes (CNT).

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Segundo Quintella, a medida beneficiará os consórcios que venceram leilões de rodovias na terceira etapa do programa de concessões do governo anterior (Dilma Rousseff). Estes previam a duplicação completa dos trechos em até cinco anos. Como contrapartida, informou o ministro, os investidores terão o prazo atual da concessão (de 30 anos) reduzido ou terão que cobrar uma tarifa de pedágio menor. 

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As mudanças, de acordo com Quintella, serão publicadas em uma Medida Provisória (MP) até o final desta semana. Com isso, serão beneficiadas também, além da concessionária da BR-163, a Via 040 (BR-040, em Minas Gerais, Goiás e Distrito Federal), que tem a participação dos fundos de pensão das estatais por intermédio da Invepar; MS Via (BR-163, em Mato Grosso do Sul), Concebra (BRs 060,153 e 262, em Minas Gerais, Goiás e Distrito Federal) e MGO (BR-050, em Minas Gerais e Goiás).

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Vencedora do leilão de concessão da BR-163, a subsidiária da Odebrecht se comprometeu em investir R$ 6,8 bilhões. Deste total, R$ 3,9 bilhões foram confirmados para os 5 anos iniciais do contrato, ou seja, até novembro de 2018. A concessionária informou que desembolsou mais de R$ 1,7 bilhão desde que assumiu a BR-163, em março de 2014. A cifra equivale a 43% do que foi estabelecido para o 1º quinquênio do contrato, com vigência de 30 anos.

Até agora, a empresa fez a duplicação de 117 quilômetros da BR-163, entre a divisa com Mato Grosso do Sul até Rondonópolis. O trecho corresponde a 26% da extensão prevista no contrato, já que até novembro do próximo ano 453,6 quilômetros deveriam receber a duplicação. Esse tipo de intervenção incluiria ainda a Rodovia dos Imigrantes (antiga MT 407, federalizada como BR-070 e que atravessa o perímetro urbano de Cuiabá e Várzea Grande) e o trecho entre Posto Gil a Sinop. O custo estimado pelo Ministério dos Transportes na época do leilão para duplicação desses trechos é de R$ 1,263 bilhão.

Para cumprir com os investimentos programados no contrato, a empresa pleiteou R$ 2,6 bilhões ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). No entanto, o recurso não foi liberado. O financiamento com o BNDES seria utilizado para prosseguir com as obras de duplicação.

Ao longo dos 850 quilômetros da BR-163 sob concessão foram instaladas e estão ativas 9 praças de pedágio, a uma distância média de 100 quilômetros cada. Desde 6 de setembro de 2015 o pedágio está sendo cobrado. Até 31 de dezembro de 2016 haviam sido arrecadados mais de R$ 500 milhões. O valor custeia a manutenção, conservação e serviços operacionais na rodovia. Já as obras de duplicação, a concessionária alega que envolvem investimentos vultuosos e a arrecadação com o pedágio é insuficiente.

A concessionária informou que, além dos 117 quilômetros duplicados, recuperou cerca de 700 quilômetros de pavimento, instalou 18 bases operacionais, passarela no município de Sorriso, adquiriu equipamentos para a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e repassou mais de R$ 62 milhões em impostos para os 19 municípios com áreas no trecho concessionado. A assessoria ressaltou que, das condicionantes previstas em contrato, apenas as obras de duplicação estão suspensas. 

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