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sábado, 7 de novembro de 2026
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Opinião

Viver é a melhor opção

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Suicídio é uma palavra e um tema tabu, no Brasil e na maior parte do mundo. Embora ocorra com muita frequência, o suicídio é pouco comentado, visto como incômodo ou vergonhoso. Mas é preciso conhecer o fenômeno, principalmente para preveni-lo.

A Organização Mundial de Saúde – OMS registrou 804 mil suicídios no planeta em 2012. É um número maior que o de homicídios ou do que o das mortes em conflitos militares. Ademais, para cada suicídio consumado, há cerca de 20 tentativas malsucedidas, mas que geram sequelas físicas e psíquicas, inclusive invalidez permanente. Cada suicida deixa em média seis pessoas, entre pais, filhos, cônjuges e amigos, arrasadas com o ato extremo, especialmente por algum sentimento de culpa ou impotência por não tê-lo evitado. Tais pessoas necessitam de acompanhamento médico e psicológico, o que multiplica o custo social do problema.

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O Brasil foi o 8º país do mundo em número absoluto de suicídios em 2012, com 11.821 óbitos e uma taxa crescente de incidência, superior à do crescimento populacional e até à das mortes em acidentes de trânsito. Em Mato Grosso, Cuiabá registrou 30 casos, mas as maiores taxas em 2012 ocorreram em Água Boa e Juína. Em determinadas áreas, é muito alta a incidência de suicídios nas populações indígenas; em outras, atinge mais os idosos solitários; também entre os adolescentes dependentes químicos cresce o comportamento suicida. Por trás de cada registro estatístico há um drama humano pouco conhecido. No conjunto, compõem um grave quadro de saúde pública. O mais importante e positivo é que, segundo a ciência, 90% dos suicídios poderiam ser evitados, por estarem associados a patologias de ordem mental diagnosticáveis e tratáveis, como depressão e dependência de álcool e outras drogas. Isso implica que são necessárias medidas de prevenção e esclarecimento.

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Todas essas informações constam do livro 'Viver é a melhor opção' do consagrado jornalista André Trigueiro, que há poucos dias em Cuiabá apresentou uma brilhante e emocionante palestra sobre o assunto. Muito conhecido como apresentador e repórter de telejornais de grande audiência, autor de diversos livros na área ambiental, na qual é respeitado especialista, André Trigueiro fez uma minuciosa e abrangente pesquisa sobre osuicídio no Brasil e no mundo.

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Cristão espírita, André Trigueiro não faz segredo que sua crença religiosa o estimula a tratar desse tema, uma vez que relatos do mundo espiritual testemunham o grande sofrimento que enfrentam, após a morte do corpo físico, os espíritos daqueles que se suicidaram, frustrando aqueles que imaginavam com esse ato por um fim ou alívio aos seus males.

Nosso país é uma das poucas nações que conta com uma estratégia nacional para prevenção do suicídio, aprovada pelo Ministério da Saúde em 2006. Como em outras áreas, até agora fomos mais diligentes na elaboração desse documento legal do que na implementação das diretrizes e ações nele preconizadas. Entre as providências necessárias para o enfrentamento do tema, destaca-se a importância de informar para quebrar a 'muralha do silêncio', bem como ampliar e fortalecer a rede de assistência psicossocial, restringir o acesso a meios (armas, remédios etc.) e amparar os 'sobreviventes de si mesmos'.

Todos os direitos autorais da obra de André Trigueiro foram cedidos ao Centro de Valorização da Vida – CVV, admirável organização de voluntários existente em 64 cidades, inclusive Cuiabá, e que presta atendimento fraterno e gratuito, 24 horas por dia, pelo telefone 141 àquelas pessoas cujo sofrimento e desespero pode conduzir ao suicídio, mas que inúmeras vezes são dissuadidas e confortadas pelo simples fato de serem ouvidas sem serem julgadas.

Se esse artigo pudesse ter uma trilha sonora, sem dúvida escolheria a inspirada canção 'O que é, o que é?' de Gonzaguinha, cujos versos afirmam que a vida é sempre desejada, por mais que esteja errada, e também que a vida devia ser bem melhor e será, mas isso não impede que eu repita: é bonita, é bonita e é bonita.

Luiz Henrique Lima – auditor Substituto de Conselheiro do TCE-MT – Graduado em Ciências Econômicas, Especialização em Finanças Corporativas, Mestrado e Doutorado em Planejamento Ambiental, Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia

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