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quinta-feira, 5 de novembro de 2026
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Unidade para menores infratores de Cuiabá é considerada a pior de MT

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Ao invés de trabalhar a cidadania e promover a reinserção social e familiar, os centros socioeducativos de Mato Grosso estão transformando os adolescentes em "verdadeiros animais". Esta é a avaliação do chefe da equipe do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), juiz José Dantas de Paiva, após inspeção no Complexo do Pomeri, em Cuiabá, e nos Centros de Internação de Cáceres e Rondonópolis. Das 3 unidades, o Pomeri é o que apresenta as piores condições. "Já vi animais em ambientes melhores".

O local tem hoje cerca de 190 adolescentes cumprindo medidas socioeducativas em espaços considerados totalmente insalubres. A água que escorre em alguns alojamentos e o excesso de internos piora ainda mais a situação. Durante a inspeção, os técnicos do CNJ flagraram adolescentes comendo dentro dos próprios alojamentos, em péssimas condições de higiene. Além disso, eles estão "misturados" nos alojamentos, quando o ideal seria que fossem separados por idade e pela gravidade do atos infracionais. Em alguns casos, adolescentes de 13 anos estavam junto com jovens de 20, o que, na visão do juiz, pode prejudicar a recuperação dos menores, que correm o risco de serem influenciados por infratores reincidentes e violentados.

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Durante visita do CNJ, adolescentes do Complexo do Pomeri denunciaram a prática de agressões e maus tratos por parte de agentes da unidade. A secretária-adjunta de Justiça e Direitos Humanos, Vera Araújo, disse que as denúncias serão apurados e os responsáveis punidos.

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Espaços inadequados – As unidades de internação não atendem aos requisitos básicos estipulados pelo Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase) e não têm espaço para a prática de atividades físicas, culturais, educacionais e de lazer. Em Rondonópolis, menores infratores assistem aulas dentro de antigas celas. Diante de tal realidade, o CNJ sugere que sejam construídos novos centros. José Dantas salienta que é preciso ter cautela, pois a construção de muitos centros socioeducativos pode estimular os juízes a enviar cada vez mais adolescentes para os locais, o que não é indicado. "Precisamos lembrar que eles cometeram delitos, mas um dia voltarão ao convívio da sociedade. Se ficarem em sistemas como esses, os adolescentes sairão piores do que entraram".

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Mato Grosso possui apenas 3 centros socioeducativos, número considerado baixo diante da grande extensão territorial do Estado. Por conta disso, adolescentes infratores de cidades do interior acabam ficando longe de suas famílias. A falta de convênios entre os municípios dificulta as visitas, o que prejudica ainda mais a recuperação dos menores. O CNJ sugere que os atendimentos sejam regionalizados e que sejam criadas mais varas especializadas no interior.

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