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sábado, 7 de novembro de 2026
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Unidade de conservação em MT garante R$ 22 milhões em ICMS Ecológico

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Desde a criação do Parque Estadual do Araguaia, o município de Novo Santo Antônio (mil quilômetros de Cuiabá) já recebeu R$ 22 milhões em ICMS Ecológico, representando 60% da arrecadação de R$ 37 milhões. Durante audiência pública na câmara de vereadores, o coordenador de Unidades de Conservação da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), Alexandre Batistella, explicou à população sobre a importância da manutenção da unidade de conservação que sofre pressões para sua ocupação e uso indevido e em desrespeito à legislação. Além de conservação uma das mais ricas biodiversidades de Mato Grosso, o parque representa viabilidade econômica para a cidade e seus cerca de 2,4 mil habitantes.

A audiência foi realizada a pedido de um grupo de pelo menos 50 famílias que vivem dentro do parque e que se reuniu em uma associação para fazer exigências à Sema: reelaboração dos estudos que tipificaram o tipo de unidade de conservação, já que eles não concordam com as regras da categoria de proteção integral, novo plano de manejo, sob a acusação de a Sema ter realizado esses projetos sem ouvir os moradores, extinção de multas e autos de infração aplicados, entre eles, por construções indevidas, caça de animais silvestres e pesca depredatória dentro da unidade conservação, devolução de materiais e apetrechos apreendidos, entre eles, de pesca. A pressão para a ocupação já provocou inúmeros conflitos, que culminaram na morte de um funcionário da Sema por um dos posseiros há cerca de cinco anos.

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Recentemente, um promotor federal também reconheceu que havia um quilombo na área anterior a criação do parque, em 2001, e a Sema está auxiliando a Fundação Palmares e outras instituições federais na busca de informações para confirmar a veracidade dos fatos. Mas conforme Batistella, essa descoberta está gerando mais pressão para o uso indevido da área em descumprimento da lei, que impõe que uma unidade de conservação nesta categoria não pode ter uso direto e individual. “Ela é um patrimônio da sociedade, com finalidade turística, de estudos, educação ambiental e manutenção da biodiversidade, justamente por ser um berço de diversas espécies importantes e em extinção, como o peixe pirarucu e a tartaruga da Amazônia”.

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O deputado Baiano Filho ressaltou que a proposta da audiência era encontrar uma solução pacífica e responsável para o problema que se arrasta há mais de 10 anos, reunindo esforços de todos os atores envolvidos, empresários, proprietários, posseiros, quilombolas, autoridades municipais e órgão ambiental. “Não tem como acabar com o parque? Não, não tem. Depois de tudo que nos foi colocado ficou claro que essa não é uma alternativa viável, porque seria uma perda muito grande, mas estamos aqui para mediar os conflitos e buscar melhores alternativas”.

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Na avaliação do prefeito Eduardo Penno, que reconheceu a importância do ICMS Ecológico para a manutenção dos serviços municipais, seria importante refazer os estudos para tentar uma nova solução mudando a legislação atual para outra que permita a manutenção das famílias na área do parque e ao mesmo tempo a conservação ambiental sem a perca dos recursos. “Será que a Sema poderia abrir a porta para esta discussão? Nós queremos encontrar uma maneira de apaziguar o conflito, um modo sustentável e possível”. Outro vereador, Antônio Fernandes, disse que o povo é mais importante que o parque. “Acaba com o parque e deixa o povo”.

Alexandre Batistella frisou a importância de ouvir todas as demandas e reclamações da população, para poder explicar posteriormente de forma realista, sem ‘vender fantasias’, o que é possível o Governo do Estado fazer e o que não é, do ponto de vista da legalidade. Essa é a quinta vez que o órgão ambiental participa de uma reunião para amenizar conflitos.

No entanto, o representante da associação dos moradores da área, Raimundo Aguiar Silva, reclamou da truculência da fiscalização, também acusou a Sema de não respeitar o direito de propriedade. “A gente não pode ser tratado assim”. Também reclamou Cândido Amorim, da recém-criada associação de quilombolas do Araguaia que quer entrar com a os filhos, netos e bisnetos na área para construir suas casas, mas têm sido impedidos pela Sema. O presidente da Câmara Municipal, José Suvela, pediu a reelaboração da lei que criou o parque ou a mudança dela. “O parque não é um extraterrestre, não pode ficar isolado”.

Mas o coordenador explicou que em uma unidade de proteção integral é vedada qualquer utilização direta e individual, neste caso o direito da sociedade sobrepõe o direito das famílias, mesmo os quilombolas que representam cultura tradicional deverão ser realocados em outro espaço, a partir da implantação do plano de manejo que já está pronto.

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