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quinta-feira, 5 de novembro de 2026
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Pesquisa aponta risco de degradação em áreas úmidas de Mato Grosso

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O estudo publicado na revista científica Environmental Research Letters apontou que mudanças recentes na legislação de Mato Grosso podem aumentar consideravelmente o risco de degradação de áreas úmidas nas bacias do Araguaia (ao leste do Estado) e do Guaporé (no noroeste), informou, hoje, o Instituto Nacional de Pesquisa do Pantanal (INPP). Publicada ontem, a resolução nº 30 do Conselho Estadual do Meio Ambiente regulamenta a implantação e a regularização de obras de drenagem agrícola no Estado. Os pesquisadores estimam que até 2,3 milhões de hectares desses ecossistemas poderão ficar suscetíveis à implantação de drenos artificiais, alterando de forma permanente seu funcionamento hidrológico. O artigo é assinado por sete estudiosos de diferentes instituições.

O trabalho analisa os possíveis impactos da autorização da drenagem artificial sobre áreas úmidas e destaca que a medida pode comprometer serviços ambientais essenciais, afetando a biodiversidade, os recursos hídricos e até mesmo atividades econômicas que dependem da disponibilidade de água.

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Segundo Dilermando Lima-Junior, professor de ecologia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e um dos autores do estudo, a pesquisa surgiu da preocupação em compreender as consequências dessa mudança. “As áreas úmidas são ecossistemas muito sensíveis a perturbações e, ao mesmo tempo, prestam muitos serviços ecológicos. Liberar a drenagem dessas áreas afeta seu principal serviço ambiental, que é a regularização do regime hidrológico. Ou seja, a água se acumula na época das chuvas e é liberada lentamente durante o período da seca”, explicou, atrav´s de assessoria, o pesquisador.

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As áreas úmidas funcionam como reguladoras naturais do ciclo da água. Durante a estação chuvosa, acumulam água que infiltra no solo, contribuindo para o abastecimento do lençol freático e ajudando a manter a vazão dos rios nos períodos de estiagem. Como afirma Lima-Júnior, a drenagem artificial interrompe esse processo e os impactos se propagam por todo o sistema hidrológico. “A água que deveria ser acumulada e permitir o reabastecimento do lençol freático é retirada devido à drenagem. Consequentemente, o regime hidrológico muda, reduzindo, por exemplo, a vazão dos rios nos períodos de estiagem”.

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Além das alterações no ciclo da água, o estudo aponta que a drenagem pode provocar mudanças profundas na dinâmica ecológica das áreas úmidas. De acordo com a pesquisa, as mudanças no ecossistema afetam a biodiversidade, diminuindo, por exemplo, as áreas de lagos temporários, importantes sítios de reprodução e crescimento de peixes e aves.

Os autores também destacam que os impactos não se restringem à conservação ambiental. A disponibilidade de água é um fator estratégico para a própria produção agropecuária. “As áreas úmidas têm uma série de condições que limitam a agricultura e, por isso, existe a necessidade da drenagem. Mas, em um país onde temos milhões de hectares de terras degradadas, não faz sentido degradar uma área tão sensível. Ao regular o regime hidrológico, as áreas úmidas ajudam a manter as nascentes e os rios durante o período da seca, que é uma condição importante tanto para a dessedentação animal quanto para a agricultura irrigada”, ponderou o cientista.

Além de quantificar a extensão das áreas potencialmente afetadas, o estudo busca fornecer informações que possam subsidiar decisões e contribuir para a formulação de políticas públicas voltadas à conservação das áreas úmidas. “A política mais coerente é estabelecer medidas que visem estabilizar essa redução ou até mesmo restaurar o regime hidrológico e a conservação das áreas úmidas tem papel fundamental. Em segundo lugar, o estudo mostra de forma muito clara a magnitude da área das bacias do Araguaia e do Guaporé que pode ser degradada”, ressaltou Lima-Júnior.

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