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domingo, 8 de novembro de 2026
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MP pede prisão e perda do cargo de cabo condenado por matar tenente no Nortão

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O Ministério Público de Mato Grosso (MPE) ingressou com um recurso de apelação para revogar a decisão que autorizou o cabo Lucélio Gomes Jacinto a recorrer em liberdade após ter sido condenado a 20 anos de prisão pelo assassinato do tenente do Batalhão de Operações Especiais (Bope), Carlos Henrique Scheifer (foto), em 2017. O MPE também pede o aumento da pena e a exclusão do condenado das fileiras da PM.

No pedido, a promotora de Justiça Daniele Crema da Rocha de Souza cita que após a confirmação da sentença, o Conselho Permanente de Justiça negou por unanimidade o pedido da defesa para que o réu pudesse responder a pena fora da cadeia. Contudo, o juiz auditor atendeu ao pedido sob a justificativa de que o habeas corpus concedido a Lucélio estava em vigência. Na ocasião, o magistrado também pontuou que o réu só poderá ser mandado para a cadeia após esgotadas todas as chances de apelação em instâncias superiores e transitado em julgado a decisão ( quando não cabem mais recursos).

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“Ora, ao suspender a decisão do Conselho Permanente de Justiça que negou ao apelado o direito de recorrer em liberdade, ao arrepio da lei e da jurisprudência, o decisum do Juiz Auditor contrariou a própria decisão do órgão colegiado de primeiro grau, abalando a confiança da sociedade na credibilidade das instituições públicas, bem como o necessário senso coletivo de cumprimento da lei e de ordenação social”, cita o documento.

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Na sequência, a promotora destacou que o magistrado “usurpou” a competência privativa do órgão colegiado. “Desta feita, no curso da instrução criminal, eventual decisão do Juiz Auditor que revoga decisão dos Juízes Militares sobre a necessidade de restabelecimento da prisão consubstancia censurável usurpação de competência privativa do Conselho de Justiça, devendo ser anulada”, diz outro trecho.

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Ao final, Daniele pediu que, diante da gravidade do crime, seja anulada a decisão do juiz auditor e o aumento da pena proferida ao cabo. Além da prisão, o documento pede também que Lucélio perca o posto na Polícia Militar após o processo tramitar em julgado.

“Ademais, após o trânsito em julgado da sentença penal condenatória, requeiro a remessa de cópias integrais da presente ação penal ao Procurador-Geral de Justiça visando eventual oferecimento de representação pela perda do posto, com a consequente exclusão do militar CB PM Lucélio Gomes Jacinto das fileiras da Polícia Militar do Estado de Mato Grosso, nos termos dos, todos da Constituição Federal”, finaliza.

O policial foi morto aos 27 anos com um tiro de fuzil que o atingiu no abdômen, durante operação no distrito de União do Norte, em Matupá, a 700 km de Cuiabá. Os policiais estavam em busca de criminosos da quadrilha de assalto a banco, na modalidade “novo cangaço”. Ele chegou a ser levado para o hospital da cidade, mas não resistiu.

Além de Lucélio, foram julgados pelo Conselho de Sentença o 3º sargento Joailton Lopes de Amorim e o soldado Werney Cavalcante Jovino. Os dois últimos foram inocentados do envolvimento do homicídio, apesar de terem presenciado o ato e confirmado a versão de Lucélio de que foi um criminoso escondido na mata que atirou na vítima durante confronto, isso na primeira versão.

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