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quarta-feira, 4 de novembro de 2026
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Morre em Sinop o pioneiro Antonio Severo

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Faleceu, no final da tarde, um dos pioneiros do município, Antonio Severo da Silva, 73 anos. Ele era pai do jornalista Leonildo Severo e da ex-vereadora Leozenir Severo. Ele teve derrame e não resistiu.

Casado com Maria dos Anjos Silva. Genro dos pioneiros Braz Claro dos Anjos e Geraldina Silva dos Anjos, que chegaram a Sinop em 24 de fevereiro de 1973. Antonio Severo é do tempo em que os pais colocavam os nomes dos filhos começando com a mesma letra. E assim nomeou quatro de seus cinco filhos: Leonildo, Leonaldo, Leozenir e Leonilson (o caçula). A segunda filha mulher, Maria Inês, recebeu nome de santa, em retribuição pela vida após mais de 40 dias na incubadora ao nascer de um parto natural complicado.

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Na década de 1960, com os pais, Jardelino e Maria (e seis irmãos) chegou à cidade de Jesuítas, então distrito de Formosa do Oeste, no Paraná, região colonizada pelos colonizadores Enio Pipino e João Pedro Moreira de Carvalho. Lá, machado ao braço, ajudou a desbravar a terra para o plantio de café, cultura que exigia cuidados ao cabo da enxada e colheita manual. Com a enxada, juntou dinheiro e comprou uma trilhadeira, uma daquelas máquinas que eram colocadas em cima de um caminhão e saia debulhando milho e soja pelos vários sítios da região.

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Filiado ao então Movimento Democrático Trabalhista (MDB), esteve no palanque de Alencar Furtado na eleição de 1974. Em 1976, foi candidato a vereador, lado do candidato a prefeito Chiquinho, tendo como adversário o candidato Fregulia. Em 1982, na primeira eleição municipal de Sinop, disputou uma vaga de vereador pelo PMDB, e obteve 122 votos.

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Antonio Severo chegou a Sinop em 11 de setembro de 1977. Aqui, comprou um caminhão e começou a puxar madeira. Era um bom negócio. Mas perdeu tudo ao ser avalista de um empréstimo bancário feito por um conhecido. Para honrar o nome, vendeu tudo o que tinha para pagar o banco. Do conhecido, nunca mais teve notícias. A família entrou em desespero. Como muitos pioneiros que aqui tiveram decepções, Antonio Severo queria voltar para o Paraná. A muito custo, decidiu ficar. Enquanto a esposa, Maria, passou a trabalhar como costureira, Antonio foi dirigir o caminhão de lixo da então subprefeitura de Sinop. Logo depois, foi convidado a trabalhar na Lanchonete e Panificadora Xingu. Trabalhou em seguida como classificador de cereais na Cooperativa Agrícola Mista Celeste (Comicel) e, quando aqui foi inaugurado o Banco do Brasil, passou a trabalhar como vigilante, tendo chegado a líder de equipe. Ali trabalhou por 16 anos, sendo que por duas vezes, junto com funcionários do Banco, ficou a noite inteira na agência como refém de assaltantes. Depois do Banco do Brasil, trabalhou no Frialto e no Frigocarne. Nas horas vagas, trabalhava como pintor para obras de amigos e da comunidade. Em 1999, passou a ter problemas de pressão alta, teve derrame e se aposentou.

Como muitos pioneiros, Antonio Severo também acreditou que poderia ser fornecedor de mandioca para a então usina da Sinop Agroquímica. No início da década de 1980, vendeu uma casa e investiu num sítio de 60 hectares… Mas a cultura da mandioca era custosa, toda braçal, e o negócio não prosperou, como bem sabe Sinop e todos que acreditaram na empreitada…

Sócio fundador do Amazônia Clube, trabalhou por vários anos na portaria de vários carnavais e outros eventos ali realizados. Atuou também na portaria de bailes e outros eventos da AABB, a Associação Atlética Banco do Brasil. Ele ajudou na fundação e construção da Igreja de Todos os Santos. As árvores em volta da capela foram plantadas por ele e pelo guarda há 18 anos. Nas festas da Igreja, e em vários outros eventos comunitários, era comum ver Antonio Severo de microfone à mão como leiloeiro.

Mas, como muitos brasileiros, também foi vítima da violência, da impunidade, da falta de segurança: em 27 de dezembro de 2014 perdeu o neto Eric Francio Severo, de 21 anos, vítima de latrocínio em Sinop.

O velório será na funerária Sauer e o sepultamento será neste sábado.

 

 

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