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quinta-feira, 5 de novembro de 2026
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Líder indígena é assassinada a tiros próximo a Diamantino

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Nem bem começou o ano e a perseguição e morte aos povos indígenas parece não ter fim. Na noite de sexta-feira (9), por volta das 22 horas, a líder indígena Valmireide Zoromará, 42 anos, foi assassinada a tiros, perto de Nova Marilândia, região de Diamantino, enquanto pescava junto a outras 13 pessoas, todas da família. Seu marido, Valdenir Xavier de Amorim está em estado grave, na UTI de num hospital de Tangará da Serra.

Segundo seus filhos Kleberson e Kelly Zoromará, eles estavam pescando em uma represa particular do córrego Cágado, pertencente a Sebastião de Assis, quando foram alvejados por um funcionário da fazenda que gritava: ‘Seus ladrões de peixes’. Todos saíram correndo e se esconderam mas Valdenir e Valmireide foram atingidos. “Quando retornamos ao local nossa mãe estava morta e meu pai suspirando”, disseram os filhos.

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Para Martins Toledo de Melo, técnico de indigenismo da Funai em Tangará, não há vestígios na área de criação de peixes e a polícia civil já iniciou o inquérito, mas por se tratar de questão federal, a Funai, o Ministério Público Federal e a Polícia Federal deverão assumir o caso. O fazendeiro Sebastião de Assis, junto a outras pessoas, ficaram reféns na aldeia em janeiro de 1992 por invasão, mas segundo Martins este fato não deve ter correlação com o crime. Perguntado sobre o clima na aldeia, o técnico disse que ‘normalmente, quando um Paresi sofre morte natural, isso por si só gera comoção na comunidade. Agora, imagine quando um irmão é assassinado por um não índio”.

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A área em que se encontram as famílias, foi doada ao grupo Zoromará na época por Marechal Cândido Rondon e a demarcação da reserva está em fase estudos, devendo ser homologada ainda este ano segundo indigenistas. Os Paresi têm no seu mito de origem a representação da sua identidade e da sua territorialidade.

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Na audiência pública do Zoneamento Socioecônomico e Ecológico de Mato Grosso, a filha de Valmireide, Kelly Cristina Zoromará disse que sua mãe retirou-os da aldeia, levando para Nova Marilândia porque eram ameaçados de morte, mas que agora iriam lutar pela terra e só sairiam de lá mortos. As palavras de Kelly anteviu a noite fatídica de 9 de janeiro de 2009. Um exame preliminar de necrópsia foram encontrados chumbos de calibre 16. A guerreira Valmireide, que atuava principalmente na defesa de sua terra se foi. Que não seja em vão.

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