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sábado, 7 de novembro de 2026
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Hospital de Câncer de Mato Grosso pede ajuda para não faltar alimentos

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Quando a porta da enfermaria 3 da ala pediátrica do Hospital de Câncer de Mato Grosso (HCanMT) se abre, é possível enxergar, há mais de dois meses, uma menina na última cama do quarto, que fica perto da janela. É Raíssa, de Poxoréu (251 km ao Sul). Ela tem seis anos e faz tratamento contra dois tumores, um no rim e outro na coluna. Após duas sessões de quimioterapia, perdeu boa parte dos cabelos. A doença atrapalha o apetite da pequena paciente, que, como é típico da idade, está sem os dois dentes da frente, formando uma “janelinha”.

Na tarde de quinta-feira (8) ela estava com um desejo de comer pipoca e a equipe de nutrição do hospital atendeu. Raíssa é uma das 20 crianças que estão internadas no Hcan e, para elas, a alimentação é fundamental no tratamento, inclusive as eventuais guloseimas, autorizadas pela equipe de nutrição. Afinal, as guloseimas alegram um pouco o coração. Acontece que o estoque na dispensa do Hcan está baixo para atender mais de 100 pacientes, adultos e crianças. Por isso, o hospital lançou campanha de doação de alimentos.

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Leite, óleo de soja, sal refinado, feijão, feijão preto, fubá, água de coco, biscoito em geral, manteiga, chás, amido de milho, extrato de tomate e outros produtos são solicitados a quem possa se identificar com a causa.

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O Hospital é filantrópico e tem doadores fixos, além disso recebe também verbas da saúde pública, já que 97% dos pacientes são do Sistema Único de Saúde (SUS). Outra coisa que Raíssa sempre pede é água de coco. Isso porque, no caso dela, tem muitas reações à quimioterapia. Sente náuseas e a boca ressaca a ponto de sangrar. A água de coco faz bem para ela porque hidrata o corpo e ajuda na cicatrização dos lábios.

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A mãe dela, Eliana Souza de Lima, 27, é baiana, mas mora em um assentamento em Poxoréu, o João de Barro. Veio para Mato Grosso com o marido, para trabalhar. Desde o início do ano a menina vinha sentindo fortes dores na barriga, ao ponto de chorar. Na cidade, um raio-X mostrou o tumor no rim. Encaminhada ao Hospital de Câncer, equipe médica encontrou outro tumor na coluna, o que explica a dificuldade que ela estava para caminhar, tendo que ficar acamada.

Sob efeito dos medicamentos do agressivo tratamento, a menina está melhor. Para a mãe dela, a preocupação é grande. Sorridente, ameaça chorar ao falar sobre as expectativas que os médicos deram ao analisar os exames da filha. Enquanto não há previsão de alta, Eliana acompanha Raíssa na enfermaria 3 e também recebe café da manhã, almoço e jantar.

Coordenadora do setor de nutrição, Luana Falcão, mestranda em nutrição oncológica, explica que para os pacientes são seis refeições por dia. Segundo ela, a dieta é fundamental para quem luta contra um câncer. “Um dos tripés, junto com a medicação e curativos”, reforça. A doença debilita muito, causa desnutrição e baixa a imunidade.

Sobre a campanha, ela afirma que chegaram ao estoque mínimo. “Quando é assim, apelamos para a sociedade, porque aqui cada paciente tem atendimento individualizado, servimos comida fresca e procuramos atender também a pedidos extras”, explica a nutricionista.

Como o de Raíssa, que queria pipoca, mas também gosta de iogurte e leite com achocolatado. O hospital tem ao todo 107 leitos, sendo 50 cirúrgicos, 20 pediátricos, 20 de clínica médica e outros. São servidas 800 refeições por dia. Os pacientes são todos de baixa renda, da capital, interior, estados vizinhos e da Bolívia.

Em 2017, foram realizados 95.500 atendimentos e servidas quase 270 mil refeições para pacientes, acompanhantes e colaboradores. O Hospital usa, mensalmente, mais de 480 quilos de feijão, mais de 300 litros de leite e mais de 180 pacotes de biscoito. Oferece ainda suplemento alimentar, em pó ou líquidos, e leites especiais. De acordo com a coordenadora do setor de nutrição, o descarte é bem pequeno e há um planejamento rigoroso, para não deixar sobrar.

Dona de casa de Tangará da Serra (239 km a médio-norte de Cuiabá), Luciana Antonina, 49, sofreu com muitos vômitos, boca amarga, mal-estar e não sabia por que. Foi ao médico e está sob suspeita de ter câncer no fígado. Aguarda internada o resultado da biopsia de um tumor já identificado no órgão. Dando um apoio nesse momento difícil, a concunhada Maria da Paz, 41, caminhoneira, faz companhia a Luciana. Afirma que alimentação do hospital é de “primeira linha”. Afirma ainda que não se trata de “rasgação de seda” mas de reconhecer a importância da instituição. “Há 8 anos precisei do Hospital de Câncer. Acompanhei a irmã do meu esposo, Infelizmente, perdemos ela, mas ficou a gratidão”, diz Maria.

Interessados em doar podem levar os alimentos até a Central de Captação do HCan em horário comercial, sem intervalo para almoço. Mais informações ligue no 3648- 7567 ou 3648-7569.

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