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sexta-feira, 6 de novembro de 2026
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Faltam profissionais em 11 setores no hospital Júlio Müller em Cuiabá

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Onze setores no Hospital Universitário Júlio Müller (HUJM), em Cuiabá estão sendo afetados pela falta de profissionais. Fechamento ou risco de paralisação de serviços e redução de atendimento são algumas das consequências elencadas. A Unidade de Terapia Intensiva neonatal (UTI) e a unidade Psicossocial, referência no atendimento de vítimas de violência sexual, correm risco de fechar. O alerta consta em relatório do Ministério Público Federal (MPF).

O pronto-atendimento pediátrico, por exemplo, está suspenso há mais de um mês por falta de médicos e enfermeiros. A situação, causada por licenças e aposentadorias, já é conhecida pelas entidades de classe, que atribuem o problema à falta de planejamento a administração, realizada pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH).

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“No atendimento pediátrico eram disponibilizadas cerca de 70 fichas por dia. Teve que ser reduzida em menos da metade pois dois enfermeiros estão em licença e apenas um atende no período noturno. No período vespertino, não há atendimento”, confirma um funcionário da unidade que prefere não se identificar.

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O funcionário alega ainda que o problema está comprometendo todas as estruturas da unidade e todos os setores estão sofrendo com a falta de profissionais. “Infelizmente é isso, o povo está tendo o atendimento prejudicado por uma falta de planejamento no hospital. Os profissionais que estão à disposição estão sobrecarregados. Sem falar que todo o hospital está vivendo um sucateamento. Muitas vezes faltam materiais básicos para diversos procedimentos e temos que mandar o paciente de volta para casa sem atendimento”, alega.

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Segundo o presidente do Sindicato dos Profissionais de Enfermagem de Mato Grosso, Dejamir Soares, as aposentadorias eram previsíveis e a empresa deveria ter se organizado para fazer contratações emergenciais. Quanto aos afastamentos, ele defende que será uma tendência, tendo em vista o estresse diário da sobrecarga de trabalho. Ele conta que entre os relatos feitos por funcionários ao sindicato, estão reclamações relacionadas à falta de cumprimento ou inexistência dos horários de repouso, bem como a presença de 2 técnicos de enfermagem e um médico por plantão, que costuma ter até 24 pacientes.

Dejamir esclarece que o ideal é ter 5 pacientes para cada técnico, uma vez que no caso da clínica cirúrgica, por exemplo, é preciso ainda mais atenção. Ele esclarece que o técnico precisa virar o doente com frequência e ainda existem casos de pessoas com sondas e outros tipos de tratamento que exigem maior especial. “Uma rotina que amplia a possibilidade de erro da enfermagem e como consequência, o risco para o paciente”.

Outro setor afetado no hospital é a unidade de clínica médica, composta por 24 leitos de enfermaria e mais 4 leitos de cuidados semi-intensivos. Segundo relatório, o serviço conta com somente 9 enfermeiros em atividade, um por período, quando são necessários 15 enfermeiros, sendo dois por período. Isso estaria refletindo na sobrecarga de trabalho e deficit na assistência aos pacientes. Na UTI neonatal não há docente para escala do setor e nem para cobrir férias. Como consequência existe o risco de fechamento do setor, sendo necessário a contratação de dois médicos neonatologistas.

O relatório do MPF mostra também que o setor de cirurgia pediátrica, referência no atendimento à gestação de alto risco, conta apenas com um cirurgião pediátrico com o regime de 20 horas semanais, sendo impossível suprir toda a demanda. A UTI adulto corre risco de fechamento também pela falta de profissionais.

Referência no atendimento de vítimas de violência sexual, a unidade psicossocial do hospital pode fechar. Ela dispõe atualmente de apenas um psicólogo e um psiquiatra. Não há quadro para o atendimento contínuo, sendo necessário a contratação de dois psiquiatras, 5 psicólogos e 3 assistentes sociais. O relatório aponta o fechamento do ambulatório de pneumopediatria. Com a aposentadoria do médico e não preenchimento da vaga, o serviço deixou de ser prestado. Todos os docentes da clínica de cirurgias também se aposentaram. Há falha na cobertura 24 horas da enfermaria clínica cirúrgica, sendo necessário o preenchimento das vagas, inicialmente, de no mínimo 3 cirurgiões gerais.

O serviço de anestesiologia é outro afetado, sendo necessária contratação de um médico anesteologista para funcionamento do centro cirúrgico. A cardiologia conta atualmente conta com dois médicos cedidos pela Secretaria Municipal de Saúde de Cuiabá. Dois médicos estão prestes a entrar em licença maternidade, um médico perto de se aposentar e um com redução de carga horária de atendimento. É preciso a contratação de 5 médicos cardiologistas para a manutenção dos serviços de ecocardiografia, holter, ergometria e ambulatório.

Um aparelho para examinar retina, quebrado há 5 meses, fez com que cerca de 100 cirurgias de deixassem de ser feitas no Hospital Júlio Müller. A confirmação é do oftalmologista especializado em retinologia, André Mozena. Segundo ele, muitos pacientes estão ficando cego devido à falta de tratamento. O setor sofre com falta de insumos constantemente e de equipamentos quebrados. Uma das medidas, conforme o especialista foi “dispensar” os pacientes, já que não há previsão de que os procedimentos sejam retomados. “Os pacientes vinham aqui para tratamento e o equipamento estava quebrado, voltava no outro mês a mesma coisa. Estávamos somente segurando o paciente e o hospital não resolvia a situação do aparelho. Estava vendo pessoas ficarem cegas na nossa frente devido a falta do tratamento. Não adiantava segurar o paciente, por isso já dispensamos. Estamos orientando os pacientes a irem à justiça para conseguir atendimento”.

O Ministério Público Federal encaminhou ao hospital uma carta recomendatória, pedindo a contratação imediata de novos profissionais para que o atendimento à população seja garantido. A equipe de reportagem esteve no local e constatou que a questão ainda está longe de ser resolvida.

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