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sexta-feira, 6 de novembro de 2026
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Escola Nova Chance completa seis anos e atende mais de dois mil recuperandos em MT

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Única unidade escolar de Mato Grosso formada para atender o público penitenciário, a escola Nova Chance figura entre as maiores escolas do estado e completa seis anos de atuação em 2015. Criada por meio da cooperação entre a Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh) e a Secretaria de Estado de Educação (Seduc), a escola tem hoje 2.217 apenados matriculados em 108 turmas, distribuídas em 40 das 65 unidades penitenciárias de Mato Grosso.

A diretora da Escola Estadual Nova Chance Carmem Lúcia Giuntini participou da implementação da instituição em 2009. “Em 2007 participamos de um evento no Acre onde conhecemos o projeto Educando para a Liberdade e percebemos que Mato Grosso estava muito aquém da oferta da educação em prisões. Por isso, desenvolvemos o projeto que se consolidou em 2009. Agora, atendemos os três segmentos, com salas de extensão nas unidades, e caminhamos para a construção da nossa identidade”.

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Educadora há 27 anos, natural de Andradina (SP), Carmem Lúcia constituiu família em Rondonópolis (215 km de Cuiabá), onde trabalhou como orientadora na Penitenciária da Mata Grande. Agora, a frente da escola com sede em Cuiabá, a professora fica até um mês sem visitar a família no interior. Carmem é um dos muitos exemplos de mulheres educadoras que lecionam nas unidades.

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Segundo dados da escola Nova Chance, apenas 10% dos professores que atuam no Sistema Penitenciário são homens. A diretora acredita que isso ocorre por resistência dos recuperandos à autoridade masculina e elogia as educadoras, “elas são guerreiras, são especiais. Nós somos uma equipe, pensamos juntos os procedimentos. Quem realmente faz a educação acontecer e avançar nas penitenciárias são elas”.

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A maioria das unidades penitenciárias de Mato Grosso é antiga e não foram construídas para contemplar um espaço escolar, assim as aprofessoras atuam em celas adaptadas. Tal qual têm de se adaptar a uma identidade proativa, pois precisam dar significado científico aos conhecimentos já vivenciados pelos alunos.

Entre os poucos homens que compõem o corpo docente da instituição está José Oraci Favaretto de Lara, formado em Geografia. Ele solicitou a remoção de Jaciara para a escola Nova Chance, onde atua como secretário. “A primeira ideia de todas as pessoas quando falamos em atuar dentro das unidades é de desagrado, pois trabalhamos com pessoas marginalizadas. Mas vim pelo desafio de um trabalho diferenciado. Trabalhamos na primeira escola que atende o sistema penitenciário no estado e quando um aluno tira 700 pontos na redação do Enem sentimos que fizemos a diferença e que aqui fazemos história”, comemorou Oraci.

No ideal de ressocialização, por meio da educação, é realizado dentro das unidades penitenciárias a educação formal e cursos profissionalizantes. O secretário de Estado de Justiça e Direitos Humanos, Márcio Frederico Dorilêo, afirma que dessa forma quase 40% dos internos no Sistema Penitenciário estão estudando, o que torna Mato Grosso um expoente no Brasil.

Dorilêo destaca ainda a importância da educação dentro do Sistema Penitenciário, pois os apenados que estudam apresentaram índices de reincidência menor e melhora na reinserção social. Para ele, exemplos dessa situação são os egressos do sistema que cursam nível superior.

“Os professores são protagonistas no processo. É perceptível o respeito, carinho, acolhimento e sensibilidade do educador com o aluno interno. Dessa relação os recuperandos vão colher o que há de mais precioso: o conhecimento. Esse gesto simbólico de orientar muito se assemelha aos papéis dos pais e assim os reeducandos são resgatados”, afirmou o gestor da Sejudh.

Para os educadores da escola, os matriculados são alunos e não apenados. Porém no intuito de resguardar a todos, a postura dos professores prevê a necessidades de segurança das unidades penitenciárias e eles não interferem no andamento de cada uma. “A escola recebe as matrículas, mas essas são definidas pelo gestor de cada localidade, atendendo a critérios, como bom comportamento”, lembrou Carmem Lúcia.

De acordo com a diretora da escola Nova Chance, para que os internos consigam efetivamente apreender no período que frequentam a unidade, foi necessária a adaptação da matriz curricular. Assim, instituição trabalha com acúmulo de carga horária. Nesse caso, quando o aluno progride para semiliberdade, por exemplo, leva a carga horária para a Educação de Jovens e Adultos (EJA) ou para o nível superior.

Dessa forma, estando na Baixada Cuiabana, o aluno só precisa ir até a diretoria da escola, hoje situada na lateral da Escola Estadual Nilo Póvoas. Já os alunos do interior podem receber a orientação da assessoria pedagógica ou dos Centros de Formação e Atualização dos Profissionais da Educação Básica de Mato Grosso (Cefapros) de cada município.

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