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sábado, 7 de novembro de 2026
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CNJ faz vistoria em presídios de Cuiabá e presos apontam falhas

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A inspeção realizada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ontem, as instalações do Presídio Central do Estado Pascoal Ramos encontrou situações inusitadas. Lá, o grupo encontrou o chão do corredor que separa as celas aparentemente limpo, na unidade de presos provisórios. No entanto, de dentro das celas, os presos denunciaram que o corredor teria sido limpo recentemente, motivado pela vistoria do CNJ. Em um dia comum, segundo eles, o chão estaria forrado por restos de comida, o que traz ao ambiente de moscas.

Esta foi apenas uma das muitas reclamações ouvidas pela equipe liderada pelo supervisor do Departamento de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário (DMF-CNJ), conselheiro Walter Nunes, que vistoriou três unidades prisionais da capital mato-grossense ontem. Além do Pascoal Ramos, foram visitados a Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May e o Centro de Ressocialização de Cuiabá.

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A lista de reclamações dos detentos é extensa. Inclui desde falta de assistência médica à inexistência de água nas celas, proibição de entrada de aparelhos de televisão e suspensões eventuais do direito ao banho de sol diário. Muitos se queixam de que permanecem presos em regime fechado quando já deveriam viver em liberdade condicional.

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Apesar do calor intenso, que no verão cuiabano chega a passar de 40 graus, os presos seriam impedidos de manter o status de cidadãos, pois até a entrada de ventiladores também está proibida. “Nós erramos e estamos pagando por isso, mas não podemos ser tratados como animais” é uma frase recorrente ouvida pelos corredores da unidade onde são mantidos os presos provisórios.

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Contêineres – Embora as celas sejam construídas parcialmente com alvenaria, assemelham-se muito com os contêineres encontrados em Marituba, Região Metropolitana de Belém (PA). Essa infraestrutura de aprisionamento é condenada pelo CNJ. “Precisamos ser francos. Não podemos usar eufemismos para classificar essa situação”, afirma o conselheiro Walter Nunes. “Não é uma questão de nomenclatura”, completa o juiz auxiliar da presidência do CNJ, Márcio Fraga. Apesar disso, os presos definitivos pedem para serem transferidos para contêineres semelhantes, onde encontrariam melhores condições para viver.

A direção do presídio reconhece que a carência de pessoal prejudica o funcionamento da unidade. “São 14 policiais militares trabalhando por turno e entre 12 e 16 agentes carcerários, por dia. O número ideal seria 30 agentes por dia”, afirma. O governo do Estado informa que está prevista, para este ano, a contratação de 1,4 mil agentes para o sistema prisional do Estado.

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