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quinta-feira, 5 de novembro de 2026
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Cinco doenças endêmicas atingem 43 mil pessoas no Estado

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Cinco das doenças mais endêmicas de Mato Grosso registraram juntas mais de 43 mil casos no primeiro semestre deste ano. Dengue, hanseníase, hantavirose, malária e leishmaniose visceral e tegumentar americana vitimizam pessoas em diferentes regiões do Estado, não possuem vacina e estão associadas às condições precárias de moradia, saneamento básico, vida e saúde.

A dengue domina a maior parte desse número, 40.264 notificações, 68,7% do que foi registrado durante todo o ano de 2009. Este ano, as mortes pela doença já chegam a 44. Mas, segundo o superintendente de vigilância em saúde do Estado, Oberdam Ferreira Coutinho, a realidade da dengue está muito longe de mudar.

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Essa previsão desastrosa é feita com base na realidade de grande parte das cidades mato-grossenses, começando pela Capital, onde não há coleta de lixo adequada, saneamento básico de qualidade e onde o abastecimento de água é precário, obrigando os moradores a armazenarem água em caixas d"águas. Tudo potencializado pela falta de educação. "Ou os gestores públicos melhoram a estrutura e os serviços públicos ou teremos que esperar pela chegada de uma vacina, que deve demorar pelo menos 2 anos".

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Aliado a isso está a dificuldade de eliminação dos criadouros, já que o mosquito busca lugares cada vez mais inusitados para se reproduzir. "Já sabemos que o mosquito se reproduz até em bebedouro e que os lugares onde há grande aglomeração de pessoas são os principais locais de disseminação da doença. Em um supermercado, por exemplo, 10 mosquitos podem contaminar até 150 pessoas".

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Além do mosquito se domiciliar cada vez mais, os sintomas também mudaram, dificultando o diagnóstico. Agora, mais que dores nos olhos e nas juntas, os pacientes sentem dores abdominais e complicações logo após a febre baixar, fatores que atrasam o diagnóstico para até 7 dias. "Com tudo isso, a doença está deixando de ser sazonal", alerta o superintendente.

Leishmaniose – Outra doença que está relacionada as condições precárias de vida é a leishmaniose, que pode ser visceral (LV) ou tegumentar americana (LTA). Nesses 6 primeiros meses, Mato Grosso contabilizou 20 casos de LV, com 2 óbitos confirmados, e 1.123 de LTA.

A doença se prolifera em regiões urbanas periféricas, onde o mosquito vetor encontra aglomerados, proximidade com a área rural, umidade, matéria orgânica em decomposição (lixo) e animais sem acompanhamento veterinário.

Apesar da realidade ser muito diferente de 1999, quando a LTA atingiu o pico de 5.504 casos confirmados, a vigilância é constante. Principalmente com a visceral, também conhecida como calazar, pois se não tratada ela evolui para óbito em mais de 90% dos casos. A LV afeta as vísceras, como o fígado e o baço, além da medula óssea e tem no cão o principal reservatório do protozoário.

O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento gratuito para a doença, mas a prevenção depende basicamente da pessoa não se expor nos horários de atividades do vetor (crepúsculo e noite), limpar quintais e terrenos e ficar atenta aos sintomas e à saúde dos cães de estimação.

Hanseníase – Dados extra-oficiais mostram que 952 casos novos de hanseníase foram detectados até a última semana. Mato Grosso é superendêmico em hanseníase e persiste no 1º lugar do ranking nacional da doença. Durante todo o ano de 2009, de acordo com uma prévia realizada em maio, foram detectados 2.646 casos no Estado, ou seja, 88,15 casos a cada 100 mil habitantes.

Mas como tudo tem um lado bom, a SES explica que os altos números significam que as ações desempenhadas pelas secretarias de saúde estão corretas e trazem resultados.

Mas ainda há muito o que ser feito. Materiais didáticos do Ministério da Saúde mostram que, além da saúde debilitada e do elevado número de pessoas convivendo em um mesmo ambiente, condições socioeconômicas desfavoráveis e precárias de vida aumentam as chances de proliferação do bacilo de Hans, transmissor da doença.

Dessa forma, a melhor forma de se prevenir é manter uma vida saudável, observar qualquer problema de saúde e, ao manter contato íntimo e prolongado com pessoas que possuem a doença, procurar um médico para avaliações contínuas.

Interior – Longe dos grandes aglomerados urbanos a preocupação continua. A malária e a hantavirose que, além de sazonais, mantém estreita relação com atividades econômicas, como garimpo, agricultura e extração de madeira, são as que mais atingem as pessoas. Dados parciais da saúde estadual apontam que a malária atingiu 762 pessoas em Mato Grosso, até abril deste ano.

Oitenta por cento dos casos concentram-se na região noroeste do Estado, onde o garimpo e a extração de madeira são as principais atividades. A endemia na região também é causada pelo intenso fluxo migratório entre pessoas que vivem na divisa com Rondônia e Amazonas e pelos potenciais criadouros do mosquito transmissor, que depende de áreas úmidas como florestas e espelhos d"água.

Em 1990, Mato Grosso chegou a registrar mais de 100 mil casos da doença, mas segundo estudos do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal de Mato Grosso, a redução acompanhou o ritmo do crescimento da área cultivada, que ocupou uma grande região de floresta.

Por outro lado, o aumento da produção de grãos trouxe para as estatísticas de saúde a hantavirose, que este ano já chega a 15 casos confirmados, 14 sob investigação e 4 mortes. A doença é causada por um vírus encontrado em ratos silvestres. Esses animais viviam nos arbustos do Cerrado, mas se adaptaram bem às plantações, contaminado trabalhadores do campo.

O ano passado fechou com 26 casos confirmados e 11 óbitos, todos em cidades onde a agricultura atua de maneira significativa, sejam plantas rasteiras como soja ou maiores como a cana-de-açúcar. Conforme explica Oberdam Ferreira Coutinho, a doença é preocupante porque a taxa de letalidade chega a 50%. "A doença pode levar à morte em apenas 4 dias".

Sem vacina e com a contaminação por vias aéreas, a única maneira de se prevenir é com manejo ambiental, respeitando a distância mínima entre plantações e residências (50 metros), utilizar máscaras para lidar com a plantação ou no momento de entrar em armazéns e silos, borrifar estes lugares com água sanitária e manter tudo sempre bem limpo.

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