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sexta-feira, 6 de novembro de 2026
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Análise técnica aponta que no precariedade no asfalto é reflexo da má execução em MT

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Buracos, ondulações, rachaduras e deformidades são as características de boa parte da malha asfáltica de Cuiabá. Pavimentação que, segundo especialistas, apresenta problemas por ser mal executada. Visando reduzir o prejuízo que a situação causa aos cofres públicos e à própria população, no próximo mês, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) irá inaugurar o Laboratório de Obras, onde serão realizados ensaios específicos, autônomos e técnicos, relativos à pavimentação urbana e de rodovias de Mato Grosso.

Engenheiro de Trânsito, Edemir Pereira frisa que a iniciativa é válida, uma vez, que asfalto é mal executado na maior parte das rodovias e também nas cidades, como Cuiabá, onde é notória a precariedade tanto das vias novas, quanto das que passaram por manutenção. “Os problemas que vemos nitidamente no asfalto da capital poderiam facilmente ser evitados, caso houvesse a elaboração de um bom projeto de engenharia”.

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Segundo ele, antes de se executar o asfalto é preciso saber principalmente se o local é úmido e instável. “Se o solo possuir essas características, o ideal é fazer um projeto que as eliminem, pois, caso o asfalto seja executado brevemente apresentará problemas”. O engenheiro explica que o principal problema do asfalto não é o material utilizado. Dentre os tipos de asfaltos mais comuns está o cimento asfáltico de petróleo (CAP), asfalto diluído de petróleo (ADP) e o concreto betuminoso usinado a quente (CBUQ). “Este último é o de melhor qualidade encontrado no Brasil e é o mais utilizado pela prefeitura de Cuiabá e Estado. Porém, como já ressaltei, muitos asfaltos são executados sem sequer ter projetos fundamentados”.

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Secretário-chefe da Secretaria de Controle Externo de Obras e Serviços de Engenharia do TCE, Emerson Augusto de Campos reforça que os danos ao asfalto estão profundamente ligados à insuficiência da compactação e da umidade inadequada das camadas, situações verificáveis com eficiência no Laboratório de Obras. Destaca que, às vezes, um pavimento é projetado com uma espessura de 5 cm, mas é executado com 4. “Parece ser um valor pequeno, mas resulta em valores milionários. Um centímetro é uma diferença de 20% na espessura. São detalhes que podem impactar significativamente a qualidade e até a quantidade de obras que podem ser entregues à sociedade. Ao invés de 100 km, poderiam ser entregues 120 km de capa asfáltica”, explica.

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Em muitos bairros de Cuiabá, é possível notar que as operações tapa buracos são medidas paliativas e com data de validade. “Aqui o asfalto é tão antigo que está quase sumido e tomando a forma de chão batido novamente. O tapa buraco nem passa mais por aqui”, diz o comerciante Antônio Luiz Pedroso, que mora na avenida principal que dá acesso ao bairro Doutor Fábio 1.

No local é possível ver o desgaste do tempo e as inúmeras deformidades causadas pela manutenção mal executada. “Ao invés de melhorar só piora, a avenida fica cheia de ondulações e acaba com a suspensão de qualquer carro”, frisa Pedroso. No bairro Jardim Imperial 1, a avenida das Palmeiras, a principal do bairro, foi totalmente recapeada e sinalizada recentemente. Porém, a rua 2.600, está totalmente deformada, com buracos, devido ao esgoto que corre a céu aberto. “A prefeitura vem, tampa os buracos e não é o tempo de um mês para eles abrirem novamente. Este asfalto tem que ser totalmente refeito. Mas, para isso, é necessário que solucione o problema do vazamento de esgoto”, diz a comerciante Ana Lúcia Mendes.

Em se tratando de obras executadas pelo governo estadual em Cuiabá, com projetos da gestão passada, hoje sob responsabilidade da Secretaria de Estado de Cidades (Secid), a trincheira do Complexo do Tijucal (Deputado Estadual Walter Rabelo), inaugurada há cerca de 3 meses, o asfalto teve que ser cortado em pelo menos 7 pontos, pois na mesma semana da inauguração, apresentou deformidades. Bem próximo ao complexo, está a avenida Arquimedes Pereira Lima (Estrada do Moinho), com rachaduras, buracos e desnivelamento em toda sua extensão. “Todos os dias passo por aqui e vejo acidentes, carros quebrados e pneus furados em consequência da péssima qualidade do asfalto. Eu mesmo já fui vítima”, conta o advogado Luiz Carlos Silva, 52.

As trincheiras Jurumirim e Santa Rosa possuem afundamentos no asfalto. Já nas ruas do entorno da Arena Pantanal, o motorista chega a se perder na contagem dos buracos, que são grandes e profundos.

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