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quarta-feira, 4 de novembro de 2026
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Conscientização paralisa queimadas em Alta Floresta

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Quem mora em Alta Floresta há 30 anos, como a servidora pública Dalva Lelis de Oliveira, sabe como as queimadas deixavam o ar insuportável nesta época do ano. ‘Não era possível enxergar um metro à frente.  Havia muitas doenças respiratórias, hospitais sempre lotados e os aviões não podiam pousar’, lembra Dalva, observando que no final da tarde não conseguia respirar tranquilamente. Há aproximadamente um ano, o Ministério Público Estadual (MPE), através da Promotoria de Justiça do município (802,5 quilômetros ao Norte de Cuiabá), começou a colher dados animadores que demonstram a redução da densa cortina de fumaça provocada tanto pelas donas de casa quanto pela atividade madeireira.

Segundo o Núcleo de Geoprocessamento do MPE, houve diminuição dos focos de calor nos municípios do pólo de Alta Floresta de janeiro a julho de 2006. Neste semestre, foram registradas 242  queimadas na região, número cinco vezes menor que o identificado em mesmo período de 2004, ou seja, 1.291. Isto é resultado de trabalho de conscientização que envolveu todos os órgãos e sociedade local em defesa de melhor qualidade de vida.

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Ao mesmo tempo, o índice de desmatamento foi reduzido surpreendemente este ano, diminuindo de 524 registros de janeiro a julho de 2004 para apenas 46 neste semestre. A avaliação do coordenador do Programa Piloto para Proteção das Florestas Tropicais do Brasil (PPG-7), Gerson Barbosa, é que a queda foi influenciada pelo  trabalho de combate e prevenção efetuado desde março pelo Grupo de Estudos do Extremo Norte (Green). Além disso, cita a crise no agronegócio, em 2005, que impediu o aumento da fronteira agrícola no Norte do Estado.

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Os dados do Núcleo de Geoprocessamento, com base em informações do Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (Inpe), foram apresentados no sábado (22) durante a reunião do Green, em Alta Floresta. Os números indicam que a queda gradativa é registrada também em 2005, tanto nos focos de calor quanto nas áreas desmatadas. No ano passado, foram registrados 824 queimadas e 362 desmates nos municípios do pólo (Alta Floresta, Guarantã do Norte, Terra Nova do Norte, Nova Canaã do Norte, Peixoto de Azevedo, Colíder, Nova Monte Verde, Apiacás e Paranaíta).

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Dados da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema), indicam que os focos de calor no Estado caíram 46,6% de janeiro a julho em relação ao mesmo período de 2005.  Foram 4.021 focos e, embora os maiores registros tenham sido no Nortão, não incluem os municípios do pólo.

O procurador-geral de Justiça, Paulo Prado, parabenizou o trabalho desenvolvido pelo Green e ressaltou que as promotorias de Justiça da região podem contar com o apoio da Instituição para reforçar a defesa ambiental, principalmente para viabilizar a realização de perícias. ‘O MPE precisa de uma atuação firme para enfrentar a questão ambiental na região e reverter o problema. Além disso, os promotores de Justiça não devem sentir-se coagidos por pressão do governo regional ou nacional’. O evento foi realizado pelo Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf). Além dos promotores de Justiça do pólo e de Cuiabá, a reunião contou com representantes do escritório regional do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Sema e da ONG Instituto Centro Vida.   

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