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quarta-feira, 4 de novembro de 2026
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Internet pela rede elétrica é testada no país

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No bairro da Restinga, na periferia da capital gaúcha, está um dos únicos terminais de atendimento brasileiros que tem acesso à internet através de um fio ligado diretamente na tomada. Um aparelho converte o sinal de internet para a rede elétrica, que depois é reconvertido por outra máquina, similar a um modem. Ali,o computador é conectado normalmente.

“Uma das vantagens de transmitir dados pela rede elétrica é que 98% das residências do Brasil têm acesso”, explica Luis Cunha, assessor de Relações Institucionais da Procempa, que coordena o projeto. “Pegamos um bairro afastado, que tem 120 mil habitantes. Apesar disso, não há cabeamento para internet rápida, porque não daria lucro. Puxamos um cabo de fibra ótica até lá e acoplamos na rede elétrica. Tem até fila para usar agora”, conta.

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O acesso à internet utilizando discagem, como funciona em boa parte das residências brasileiras, tem uma velocidade de 56 Kb/s (56 mil bites por segundo), normalmente. Utilizando a rede de cabos, chega a 2 Mb/s (2 milhões de bites por segundo). A internet pela rede elétrica testada em Porto Alegre funciona a 45 Mb/s, e será trocada, em breve, por um acesso de 200 Mb/s, diz Cunha. “A transferência atual é pelo menos sete vezes mais rápida, dependendo do aparelho”, explica o assessor de Projetos Especiais da Procempa Cirano Iochpe, e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

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Segundo Iochpe, a transferência de dados pela rede elétrica funciona convertendo os bits em pulsos elétricos, que circula depois como tensões e correntes. “O desafio técnico agora é fazer essa rede ter uma performance adequada. Até hoje, esses pequenos projetos do Brasil usavam uma tecnologia que não era desenvolvida especificamente para o Brasil. No Brasil, o sinal perde força, tem ruídos. Os novos equipamentos têm filtros eletrônicos para manter o sinal forte e reduzir as interferências – que, no Brasil, são enormes”, explica.

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A facilidade, entretanto, é enorme. Em um prédio com acesso pela rede elétrica, é possível tirar o computador de uma tomada e ligar em outra, por exemplo. A Procempa já faz testes para dois tipos de usos: telemedicina, que é organizar consultas em centros médicos que possam ser realizadas em hospitais distantes com auxílio do vídeo; e um canal de retorno para interatividade da TV digital. Enquanto a TV digital seria transmitida por antenas, a interatividade poderia ser feita pela rede elétrica.

Iochpe diz que não há intenção comercial ainda. “No início, pelo menos, não queremos competir com os provedores normais, apenas levar acesso a programas sociais, como telecentros e centros de saúde”. A rede elétrica, diz Cunha, ainda não foi pensada como modelo de negócio.

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