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sábado, 7 de novembro de 2026
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Mato Grosso: Campanha de recuperação do Rio Xingu busca sementes de plantas nativas

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A coleta de sementes de plantas nativas é a principal meta, este ano, da campanha Y Ikatu Xingu, que significa “água limpa e boa” na língua Kamaiurá, pertencente ao tronco Tupi. Lançada há três anos, a campanha objetiva recuperar nascentes e matas ciliares (as que margeiam os cursos d’água) do Rio Xingu no Mato Grosso.

De acordo com o coordenador da campanha pelo Instituto SocioAmbiental (ISA), Márcio Santilli, lideranças indígenas vão recolher sementes em remanescentes florestais e municípios da região já construíram viveiros, porém a coleta ainda é pequena diante do tamanho das áreas degradadas.

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“Um esforço de recuperação em maior escala de matas ciliares da região vai demandar uma quantidade muito grande de sementes de diversas árvores”, explicou, em entrevista à Agência Brasil. “Essas sementes de espécies nativas não são passíveis de compra no comércio local, portanto tem que haver esforço grande de coleta, tratamento e distribuição.”

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Os recursos para o trabalho virão de parcerias com os governos federal, estadual e municipais. Segundo Santilli, a campanha possui 15 projetos, sendo que alguns devem começar neste ano, como o da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

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Em três anos, a empresa vai capacitar pessoas e instituições sobre o uso da água, plantio e apoio a assentados, além do desenvolvimento de experimentos na pecuária. O custo será de R$ 1 milhão, dividido igualmente entre a empresa e o Ministério da Ciência e Tecnologia.

Além de prefeitos e indígenas, fazendeiros, assentados e a universidade local aderiram à campanha. Para o coordenador, a participação de quem “tem a mão na massa” é fundamental para a recuperação das nascentes e matas ciliares e reverter a cultura do desmatamento, trazida pelas famílias que migraram para o Xingu.

“As pessoas trouxeram um tipo de cultura agrícola ou de cultura de ocupação de território que tiveram dos seus pais e avós, da própria orientação histórica que o Estado brasileiro deu para esse tipo de ocupação. Muitas pessoas eram estimuladas a desmatar até para comprovar a posse efetiva das áreas”, ressaltou Santilli. A expansão agrícola, o desmatamento e as queimadas têm provocado a seca de várias nascentes e destruição das matas em torno do rio, conforme dados do ISA.

Criado em 1961, o Parque Indígena do Xingu tem atualmente cerca de 2,6 milhões de hectares, porém as nascentes dos rios formadores do Xingu, principal rio da região, ficaram de fora do parque. O projeto original para o local, defendido pelos irmãos Villas Boas, por Darcy Ribeiro e pelo marechal Cândido Rondon junto a Getúlio Vargas, previa uma área quatro vezes maior.

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