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sexta-feira, 6 de novembro de 2026
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Resgatados trabalhadores em condições análogas à escravidão em MT

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Fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) libertaram 84 vítimas de trabalho escravo contratadas para executar uma obra financiada pelo Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal (CEF) em Sapezal (480 km ao noroeste de Cuiabá). Os funcionários eram submetidos a jornada excessiva de serviço, não tinham registro de trabalho, ocupavam alojamento precário, não contavam com equipamentos de segurança, nem recebiam atendimento médico apropriado. A equipe apreendeu 10 motosserras que eram utilizadas pelos trabalhadores que não foram treinados e chegaram a sofrer acidente com o equipamento.

O auditor-fiscal Márcio Siqueira da Silva explica que todos os funcionários eram homens e não recebiam nenhum direito trabalhista, além de serem alojados em barracos de madeira e lona. A água consumida por eles era retirada de um riacho dentro da propriedade e não passava por nenhum tratamento. As obras são referentes a construção de 2 pequenas usinas hidrelétricas e os funcionários liberados atuavam na limpeza da área que seria inundada após o término de uma barragem.

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O auditor-fiscal destacou que é inadmissível que uma obra desse porte, construída com recursos federais, ofereça esse tipo de condições aos funcionários. Ele explica que os salários estavam em dia e eram razoáveis, mas não justifica a falta de pagamento dos direitos trabalhistas. As horas excedentes de trabalho não eram remuneradas.

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Segundo Siqueira, os funcionários desenvolviam atividades pesadas e com riscos de acidentes, além da possibilidade de sofrerem picadas de animais peçonhentos. Ainda assim, não era oferecido nenhum serviço médico ou medicamentos para um atendimento emergencial.

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Os trabalhadores foram hospedados em um hotel na cidade de Campo Novo dos Parecis.

O grupo Juruena, responsável pelas obras, não entrou em um acordo com a Promotoria do Trabalho por entender que não tem vínculos com os funcionários. Siqueira explica que 2 pessoas atuavam como empreiteiras e eram responsáveis pela contratação da mão-de-obra. A prática é conhecida como “gatos”. “Eles não teriam condições nenhuma de arcar nem mesmo com as rescisões trabalhistas que ficam em torno de R$ 500 mil”.

Diante da recusa do grupo em negociar, a Promotoria entrou com uma ação civil pública na Vara do Trabalho do município de Pontes e Lacerda.

 

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