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quinta-feira, 5 de novembro de 2026
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Escrevente acusada de envolvimento na morte de juiz em MT sai da prisão

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A ex-escrevente Beatriz Árias Paniáguas está em liberdade. Ela saiu da Penitenciária Feminina Ana Maria Couto May na quinta-feira (15), após ser absolvida do processo que respondia por associação ao tráfico de drogas. A decisão é da juíza da 9ª Vara Criminal de Cuiabá, Maria Cristina de Oliveira Simões, que expediu o alvará de soltura. A direção da penitenciária confirmou a liberdade.

Beatriz, que foi condenada a 12 anos de reclusão pela morte do juiz Leopoldino Marques do Amaral, voltou à prisão no dia 4 de dezembro de 2007, acusada de participar de uma quadrilha que agia dentro da 2ª Vara de Execuções Penais de Cuiabá.

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Durante as investigações das fraudes dentro do Fórum, foram levantadas informações do possível envolvimento da ex-escrevente com o tráfico de drogas. Ela foi indiciada e denunciada por formação de quadrilha, corrupção ativa e tráfico de entorpecentes.

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A prisão no processo que investigava as fraudes na 2ª Vara já tinha sido revogada e Beatriz era mantida atrás das grades apenas pela acusação de tráfico, segundo afirmou o advogado José Marcílio Donegá.

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Tráfico de drogas – No dia 12 de dezembro de 2007, Beatriz teve a prisão preventiva decretada por associação ao tráfico de drogas. Junto com ela, passaram a responder pelo mesmo crime outras 5 pessoas. Na sentença, a juíza só condenou 3 deles: Josiliano da Silva, o “Zé Leandro”, Édson José da Silva, o “Magrão”, e Sebastião Lauze Queiroz de Amorim, o “Dandão”. Todos pegaram 3 anos de reclusão.

Na denúncia do Ministério Público Estadual, foi apontada a existência de uma importante ligação da ex-escrevente com os traficantes. Ela se passava por tia de Wilber Martins Rodrigues, tido como o principal fornecedor de drogas. As drogas eram previamente adquiridas por uma pessoa conhecida como José Charlie e Wilber, na região de Porto Esperidião, quinzenalmente. Édson e Joseliano faziam o transporte da substância, em caminhão boiadeiro, para Cuiabá, se alternando nas viagens. Levavam para um sítio em Cáceres, de propriedade do Wilber, que funcionava como esconderijo e ponto de apoio. Acondicionavam parte da droga, e traziam à Capital onde possuíam outro ponto de apoio, em local que denominavam “barracão”, região do Coxipó. Depois de estocado, Wilber contatava os clientes por telefone, dentre eles o “Dandão”, e outros residentes nos Estados de Goiás, Minas Gerais e Bahia.

De acordo com o MP, o envolvimento de Beatriz era comprovado principalmente por ela ter ido até Alto Araguaia buscar 2 veículos do traficante, na primeira vez que ele foi preso. Em um deles, estariam escondidos R$ 20 mil, resultado da venda de drogas, para custear honorários advocatícios.

Na casa dela, entre os documentos apreendidos na operação “Artemis”, estava a identidade de Wilber. Além disso, foi encontrada uma pasta contendo 26 folhas referentes a vida e aos bens do traficante.

A decisão – A juíza Maria Cristina Simões afirma que pelas interceptações feitas pela polícia ficou constatado que Beatriz “abrigou em sua residência pessoas foragidas da justiça do Estado de Minas Gerais”. Constatou-se ainda que ela mantinha estreito relacionamento com Wilber, de quem era espécie de despachante, que diligenciava documentos referentes a processos do mesmo, fazendo isso também em relação a outros detentos.

“Ficou claro que conseguia com detento fabricação de documentos para instruírem processos de execução penal, de clientes seus. No entanto, no que se refere a envolvimento seu com tráfico de entorpecentes, não vislumbrei nos autos qualquer prova, o que me leva a, com fundamento no artigo 386, IV, absolvê-la da imputação criminosa feita contra si neste processo”.

Diante disso, a juíza determinou a imediata expedição do alvará de soltura.

Outra acusação – Beatriz Árias ainda responde a um processo na 15ª Vara Especializada Contra o Crime Organizado por formação de quadrilha e corrupção ativa, resultado da operação “Artemis”, que revelou esquema dentro da 2ª Vara Criminal de Cuiabá. Ela é acusada de servir como elo para agilizar o andamento de processos e os presos tinham que pagar propinas para conseguirem alguma decisão.

História – Beatriz só tem uma condenação até hoje, a de 12 anos de prisão pela co-autoria na morte do juiz Leopoldino Marques do Amaral, ocorrida em 1999. Em novembro de 2007 ela chegou a ser beneficiada com o livramento condicional e não teria nem mesmo que dormir na prisão. Mas antes do benefício ser realmente concedido, ela acabou presa, no dia 4 de dezembro na operação “Artemis”. Em março de 2008, a juíza Nilza Maria Pôssas, da 14ª Vara Criminal de CUiabá, determinou a regressão de regime para o fechado.

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