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quinta-feira, 5 de novembro de 2026
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Cuiabá: Defensoria aciona Estado e município contra desapropriações

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A Defensoria Pública impetrou uma ação civil pública contra o Estado e o município de Cuiabá para tentar garantir o direito à moradia de aproximadamente 700 pessoas, integrantes do bairro Castelo Branco, na capital. O perímetro desta localidade será objeto de desapropriação pelo governo do Estado para a construção da via denominada avenida Parque do Barbado, obra de mobilidade urbana para infraestrutura da Copa de 2014.

O objetivo da ação da Defensoria é que o governo não remova os moradores, enquanto não houver definição prévia, com informações claras, de como ficará a situação deles. No começo do mês de junho deste ano, o Núcleo de Regularização Fundiária da Defensoria Pública, realizou reunião com os moradores do Castelo Branco, constatando a angústia deles relativa ao destino que lhes seriam reservados pela Agecopa, a título de moradia.

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Houve, também, uma reunião com o secretário Extraordinário de Estado para fins de desapropriações para tentar esclarecer o que havia de concreto relativo ao destino das moradias dos envolvidos, porém nada foi obtido. "Ao que tudo indica as atividades envolvendo as obras da Copa, revestem-se de absoluto sigilo, restando aos desinformados a negativa do completo acesso aos documentos", afirma o defensor público Air Praeiro Alves.

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O art. 6º da Constituição Federal define o direito fundamental à moradia como direito social, relacionado ao dever do Estado de concretizar em suas políticas públicas de habitação. O projeto do Castelo Branco, porém, tem sido priorizado de forma desmedida, e até mesmo desarrazoada, pelos seus gestores e executores. No anseio de concretizá-lo em curto espaço de tempo, eles têm solapado direitos fundamentais da população afetada pela obra, bem assim não observados os pressupostos básicos do sistema de proteção jurídica da posse.

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Ainda conforme Praeiro, "é periclitante a situação em que se encontram os moradores daquele bairro. Muitas dessas pessoas serão despojadas de todos os seus bens e esperanças, contribuindo para o acirramento da descrença na ordem jurídica. Sem a garantia do devido processo legal, serão ‘expulsas" do local onde vivem há mais de quatro décadas".

Além de outras solicitações, a Ação Civil Pública pede a "abstenção de quaisquer atos de ameaça de esbulho ou de turbação à posse dos moradores, enquanto não definida a situação jurídica dos atingidos e de seus imóveis, assegurando a participação da Defensoria Pública Estadual em todo processo expropriatório, remoção e alocação", cita trecho da ação. "A população afetada tem o direito de participar no processo de decisão dos seus destinos, não podendo ser tida como mero objeto de políticas públicas".

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