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sábado, 7 de novembro de 2026
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Policiais mato-grossenses reclamam de "promoções políticas"

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A influência política na nomeação dos oficias da Polícia Militar de Mato Grosso contribui para a desmotivação da corporação. As promoções são realizadas obedecendo 2 critérios distintos, a antiguidade e o merecimento. Para cada 5 oficiais promovidos, apenas 1 consegue ascender por tempo de serviço prestado à PM. Os outros 4 são escolhidos pelo governador do Estado que recebe, para cada posto, o nome de 3 oficiais encaminhados pela Comissão de Promoção de Oficiais da Polícia Militar (CPO). A CPO, presidida pelo comandante geral da PM, coronel Osmar Lino Farias, é composta por 5 coronéis e é alvo de denúncias. Ela se reúne hoje para o procedimento de atribuição de notas.

Para o presidente da Associação dos Oficiais da Polícia Militar de Mato Grosso (Assof-MT), coronel Leovaldo Emanoel Sales da Silva, o componente político faz com que oficiais deixem o trabalho de rua e busquem proximidade com políticos, ao invés de terem o reconhecimento por bons serviços prestados à corporação. "É necessário resgatar a instituição. Recompensando bons homens sem que eles tenham que lamber botas de políticos teremos uma polícia melhor".

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Algumas promoções chamam a atenção. O major Sandro Barbosa da Silva, ainda capitão, se licenciou da corporação para assessorar um deputado federal. Após seu retorno, foi agraciado com a promoção por merecimento. "Este é um caso que causou grande revolta na corporação. É público e notório que as promoções têm mesmo este componente político", revelou um oficial, atualmente na reserva, que não quis ser identificado.

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Outro "atropelo" no processo de promoção de oficiais foi verificado com a major Jane Sousa Melo, que apenas 1 ano após seu interstício, período mínimo que um oficial deve permanecer em seu posto antes da promoção, foi alçada a esta condição, passando na frente de 61 outros oficiais. Ela é esposa do atual comandante geral da PM e prestava serviços no Tribunal de Justiça de Mato Grosso.

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Conforme Sales, as promoções funcionam da seguinte forma, o oficial presta serviços a um político. Após um determinado período, recebe, como "presente", a indicação, feita para a CPO, que ajeitaria as notas atribuídas para garantir o atendimento à solicitação. "Hoje para ser promovido só depende do padrinho", atestou o oficial da reserva.

Nos últimos 8 anos de PM, período em que se intensificou a prática, percebeu nas fileiras praças e oficiais desmotivados, sem condições de exercer o trabalho. "E o resultado disso vemos nas ruas, repleta de policiais de fachada".

Um dos oficiais que aguarda há anos a promoção, e que teve seu posto e identidade preservados devido o medo de retaliaões, resume bem a situação. "No começo, ficava esperando ansioso as promoções por merecimento, por ter ficha limpa e realizar bem o meu trabalho. Agora, nem espero tanto".

Conta que seu caso, conhecido de vários membros da corporação, é apenas mais um em que os interesses políticos se sobrepõem à competência. Para a reunião da CPO de hoje, não esconde uma ponta de esperança. "Vai que os coronéis são iluminados e deixam de lado este tipo de coisa".

Mas informações dão conta que os nomes da promoção do dia 5 de setembro, cuja definição acontece hoje, já estariam definidos e seriam ligados a desembargadores, deputados e coronéis.

Dentro da corporação, existe até uma paródia intitulada "Cajor", junção de capitão com major, que retrata a realidade de dezenas de oficias da PM de Mato Grosso. A música, adaptada da "Dou A Vida Por Um Beijo", de Zezé Di Camargo e Luciano, retrata a dificuldade para conseguir a promoção.

Entre os praças, o problema acarreta em grandes dificuldades na execução das tarefas. Responsáveis pelo trabalho ostensivo da PM, soldados, cabos e sargentos não encontram nos oficiais a liderança necessária. "Que moral tem um capitão que está há vários anos no posto e já nem consegue cobrar a tropa? Nenhuma. Logo, toda a corporação perde a vontade de trabalhar", aponta um praça que não quis ser identificado.

Para colocar fim aos problemas ocasionados pelas indicações, todos os PMs ouvidos foram unânimes em destacar a mudança dos critérios por algo mais objetivo. "Não nos conformamos com esta situação, mas temos nossas limitações. Algo precisa ser feito para que a PM volte a ter sua autonomia e que se preservem os valorosos homens que temos", completa o presidente da Assof.

Fora das ruas – Além dos problemas com as promoções, atualmente existe um alto número de oficiais e praças lotados em órgãos públicos, como o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT), a Assembleia Legislativa (AL) e diversas secretarias. Chamados para compor os quadros organizacionais dos poderes, estes oficiais são escolhidos a dedo, que solicita à PM, nominalmente, quem quer nestes postos. "E é este o caminho para a promoção por merecimento que, além de ser nocivo, tira das ruas homens com grande experiência e conhecimento do trabalho policial", ressalta Sales.

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