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sábado, 7 de novembro de 2026
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Nortão: greve prejudica audiência de acusados de matar fazendeiro e mais 3

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Ficou para o mês de maio a audiência de instrução e julgamento de Rogério Pessoa Freira, Joab da Silva Pontes e Jiovani da Silva Lima acusados pelas mortes do do fazendeiro Antônio Alfanaci Dias, 60 anos, do filho Anderson de Lima Alfanaci, 24 anos e dos funcionários Wilson Silveira Santiago, 25 anos e Célio Soares da Silva, ocorridas em agosto do ano passado, em Novo Mundo, pequena cidade localizada próximo a Guarantã do Norte, onde o processo está tramitando. Inicialmente, a audiência seria realizada no início desta semana, no entanto, os réus (que estão presos) acabaram não sendo levados até a comarca devido a greve dos agentes prisionais. Testemunhas de acusação e defesa também devem ser ouvidas na audiência. Com base nos depoimentos, o juiz poderá pronunciar os réus para serem submetidos júri popular ou adotar outras medidas.

Rogério, Joab, e Jiovani foram denunciados pelo Ministério Público por crimes como sequestro, ameaça, homicídio e ocultação de cadáver. As defesas dos réus foram encaminhadas ao Judiciário ainda em fevereiro. Em duas delas são citadas as “pressões policiais” durante os depoimentos.

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Na defesa de Joab, por exemplo, o denunciado é citado como trabalhador e sem inimigos, “não havendo motivo que justificasse para tal prática [crime], percebe-se que o denunciado trata-se de jovem inexperiente que foi inicialmente persuadido, e posteriormente obrigado a se aliar a conduta dos demais delinquentes”, descreve o documento.

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Em relação a Rogério, a defesa aponta que a denúncia baseia-se “exclusivamente nas supostas confissões extrajudiciais dos acusados, as quais são nulas de pleno direito por terem sido obtidas mediante a intensa pressão psicológica e desnecessário sofrimento físico impingidos pelos policiais que trabalharam nas investigações”. O documento destaca ainda que não há provas ou indícios “nos frágeis elementos colhidos no inquérito” que apontem envolvimento de Rogério nos crimes. É citado ainda que não foi encontrado pertences das vítimas com o acusado e que este, também, teria permanecido “com ânimo inalterado e sem mudança de rotina”.

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A defesa cita ainda uma suposta contradição nos relatórios da autoridade policial “onde, no primeiro, ela afirma que foram os acusados Joab da Silva Pontes e Jiovani da Silva Lima que confessaram que as vítimas já estavam mortas e apontaram o cativeiro onde elas permaneceram antes do trágico fato, isso tudo anteriormente à prisão de Rogério […] no segundo relatório, o delegado afirmou que somente após a prisão de Rogério é que os três afirmaram que as vítimas estavam mortas e o acusado Rogério é que teria apontado o cativeiro”, descreve.

Já a defesa de Jiovani narra que Rogério teve sim participação nos crimes, sendo o executor. É destacado ainda que Jiovani e Joab foram obrigados, mediante a ameaça, a estarem no local onde os crimes ocorreram. “O acusado Jiovani convivia com o acusado Rogério pelo fato deste último ser, até o momento da sua prisão, casado com a irmã do primeiro”, narra o documento.

No documento, a defesa de Jiovani aponta ainda que “muito embora o acusado Rogério sempre dizer que tinha a vontade de matar alguém, o mesmo nunca tivera exteriorizado e materializado esse comportamento desumano. Estranhamente, num determinado dia, o acusado Rogério, depois de reclamar da falta de dinheiro e do seu endividamento, disse aos acusados Jiovani e Joab que precisava seqüestrar um fazendeiro da região para lher tomar dinheiro e, nesse mesmo dia, determinou que os mesmos estivessem juntamente com ele sob pena de morte. O acusado Rogério também disse ao acusado Jiovani e ao acusado Joab que se a polícia fosse informada do sequestro, que os mesmos seriam mortos”.

A defesa destaca ainda que Jiovani nunca teve falta de recursos que o levasse, espontaneamente, a realizar uma extorsão mediante seqüestro. Destaca ainda que as execuções teriam sido feitas por Rogério e que a Jiovani e Joab teriam que auxiliar na ocultação dos cadáveres e no contato via SMS. “O acusado Jiovani acredita na possibilidade do acusado Rogério ter sido contratado por terceira pessoa para dar fim no fazendeiro por um motivo até o presente momento desconhecido”, aponta outro trecho da defesa de Jiovani.

Conforme Só Notícias informou, os crimes ocorreram no dia 17 de agosto do ano passado e chocaram a população na região. Conforme a denúncia do Ministério Público, Rogério e Jiovani já haviam trabalhado na fazenda de Alfanaci e, com apoio de Joab, ficou decidido que, inicialmente, iriam sequestrar e extorquir pai e filho. Eles teriam conseguido entrar na fazenda após forjarem defeito em uma das motos usadas por eles. Na propriedade eles renderam pai, filho e Wilson. Célio teria tentando escapar mas acabou sendo morto e o corpo jogado dentro de um buraco utilizado como depósito de lixo da fazenda.

A decisão de matar teria surgido após os suspeitos perceberem que as vítimas não tinham dinheiro. A denúncia aponta ainda que Rogério atirou em Wilson; Joab em Antônio e Jiovani em Anderson. Após cometerem os assassinatos, os acusados ainda procuraram a mulher de Antônio (via mensagem de celular) para cobrar o resgate. As conversas entre suspeito e viúva foram monitoradas pela Polícia Civil, que chegou até Joab após perceber que ele utilizava o aparelho de Anderson para conversar com a namorada. Quando os policiais abordaram Joab, confirmaram que as mensagens de negociações ainda estavam salvas. O acusado então “decidiu colaborar” e levou à localização dos demais acusados e bem como a dos corpos de Antônio, Anderson e Wilson.

 

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