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quarta-feira, 4 de novembro de 2026
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População aumenta em 73% das cidades de Mato Grosso

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O crescimento populacional nos últimos 10 anos foi registrado em 73% das cidades de Mato Grosso com uma variação que vai de 0,04%, em Santa Carmem, a 206,47% em Ipiranga do Norte, que saltou de 2.163 habitantes em 2005 para 6.629 moradores em 2015. Colniza é a segunda cidade que mais cresceu. Se há 10 anos contava com 13.562 cidadãos, hoje são 33.575, um aumento de 147,56%. Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e levam em consideração apenas o número de habitantes nas 141 cidades do Estado. Levantamento feito por A Gazeta demonstra que 103 municípios contaram com aumento de habitantes.

O economista Vivaldo Lopes explica que três fatores levam uma região ao crescimento populacional permanente: aumento do Índice de Desenvolvimento Humano, Produto Interno Bruto (PIB) e oferta de emprego. Em ocasiões, como construção de rodovias e hidrelétricas, existe o aumento populacional momentâneo, durante a execução das obras.

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Quanto ao crescimento das cidades de Colniza e Ipiranga do Norte, Lopes destaca que é preciso considerar que são cidades pequenas, com baixo número de moradores e em processo de migração, o que faz com que o percentual seja alto. “São cidades com população pequena e a chegada de pessoas, mesmo que em números não muito grandes, faz com que percentual seja mais elevado que em outras cidades que receberam um maior número de moradores”, disse, complementando que a atração pelo emprego é vista como forte fator para que as cidades transformem-se em chamariz e que as duas cidades têm características semelhantes e economia focada no agronegócio.

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Prefeito de Colniza, João Assis Ramos (PMDB) destaca que o crescimento populacional é sentido na cidade, que completará 16 anos em 23 de novembro. Destaca que a ocupação é predominante por rondonienses, que viram no município uma opção de melhora de vida. Relata que na década de 80, quando o interior de Mato Grosso passou a ser ocupado por migrantes de todas as partes do Brasil, a região de Colniza chegou a ser habitada, mas a distância, a falta de infraestrutura e a presença intensa de doenças como a malária, fizeram com que houvesse o desinteresse pelo local, que voltou a ter visibilidade somente no final da década de 90.

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Hoje, a cidade com 27 mil quilômetros quadrados conta com economia pautada na agropecuária e mineração. “As terras são boas, férteis, com água em abundância. Isso foi e continua sendo atrativo para chegada de novas pessoas”. Pontua que acredita em um crescimento ainda maior, uma vez que a BR-174 passou por melhorias. Já tivemos o título de cidade mais violenta do país, mas isso não é realidade. Atualmente, contamos com uma estrutura muito boa, com instalação do Poder Judiciário e Polícias Civil e Militar”, avaliou. 

Se por um lado o crescimento é alto entre as cidades mato-grossenses, por outro há regiões que diminuíram entre os anos de 2005 e 2015. A redução demográfica é realidade em 38 municípios do Estado, o que representa 27%. O cálculo também teve como base os levantamentos feitos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A queda no número de moradores varia entre os 0,81% em Nova Monte Verde e 40,89% em Tabaporã, que saiu de 16.055 moradores em 2005 e passou a ter 9.489 habitantes este ano. As cidades de Marcelândia e Novo São Joaquim ocupam o segundo e terceiro lugares em redução, com 39,54% e 39%, respectivamente.

A falta de empregos e expectativa de melhora na economia são fatores que levam à saída dos moradores para outras regiões com maior possibilidade de absorção de trabalhadores. O economista Vivaldo Lopes pontua que Tabaporã e Marcelândia têm a economia pautada na pecuária e exploração da madeira, dois setores em desenvolvimento no Estado, mas que passaram por algumas transformações. A pecuária passou a ser mais atrativa em regiões onde existem frigoríficos e a exploração da madeira vem sendo cada vez mais monitorada pelos órgãos ambientais.

Lopes frisa ainda que é sempre preciso ficar atento a mudanças do mercado para que se busque uma ampliação da economia, como a implantação de uma indústria, que “segura” a população no local. Pontua que a perda demográfica é prejudicial a qualquer município, daí a importância dos gestores se manterem atentos às mudanças.

Prefeito de Tabaporã, Percival Cardoso Nóbrega contesta a base de dados do IBGE e destaca que o município é prejudicado em decorrência desse índice populacional que não corresponde à realidade. “Os repasses do governo Federal são feitos para Tabaporã de maneira insuficiente. Recebemos o percentual que cidades com três mil habitantes recebem”. Nóbrega relata que a cidade conta com pelo menos sete mil eleitores. Número que, para ele, já demonstra a falta de veracidade do estudo do IBGE. “Se eu tivesse permissão, contrataria uma equipe para fazer essa contagem, porque eu mesmo nunca vi o IBGE aqui. A nossa realidade é totalmente diferente, todos os dias chegam mais pessoas querendo morar no nosso município. Temos mais de 11 mil moradores com certeza”.

Relata ainda que nos últimos quatro anos houve um alto crescimento demográfico. Tabaporã tem a economia pautada na agricultura (200 mil hectares plantados), pecuária (186 mil cabeças de gado) e madeireiras (13 empresas). O prefeito acredita que a área plantada dobrará em pouco tempo, diante do potencial da região que tem áreas a serem exploradas.

IBGE – O último levantamento do IBGE foi divulgado em agosto, apontando estimativas das populações residentes nos 5.570 municípios brasileiros com data de referência em 1º de julho de 2015. O levantamento populacionais é fundamental para o cálculo de indicadores econômicos e sociodemográfi-cos nos períodos intercensitários. É ainda um dos parâmetros usado pelo Tribunal de Contas da União na distribuição do Fundo de Participação de Estados e Municípios. 

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