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domingo, 8 de novembro de 2026
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Instituto gaúcho usa técnica de designer sinopense para tentar solucionar caso de repercussão nacional

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O Instituto-Geral de Perícias (IGP) de Porto Alegre (RS) vai utilizar uma técnica desenvolvida pela equipe do designer sinopense, Cícero Moraes, para tentar solucionar a morte de Odilaine Uglione, mãe do menino Bernardo Boldrini, assassinado em abril do ano passado. O inquérito foi reaberto este ano, por determinação da justiça, após indícios de que Odilaine pode ter sido assassinada e não se suicidado, conforme concluíram as investigações em 2010, ano que ela morreu.

Agora, os peritos gaúchos querem saber a trajetória da bala que matou Odilaine. Para isso, reconstruirão o crânio da vítima em 3D a partir de imagens obtidas com a exumação do corpo. Com a trajetória do projétil definida, os peritos poderão afirmar se ela foi assassinada ou tirou a própria vida.

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A técnica será usada pela primeira vez em uma investigação criminal no Brasil. Cícero explicou, ao Só Notícias, que os peritos tiveram contato com a tecnologia a partir de uma palestra sua, em Porto Alegre. “A partir de então, eles estudaram e conseguiram replicar a técnica, que foi a mesma utilizada para reconstruir o crânio de Santo Antônio. Boa parte do material de apoio utilizado foi disponibilizado pela equipe e será base para um livro sobre o assunto”.

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Segundo Cícero, a aposta do IGP pode incentivar outros institutos de criminalística a aprofundarem a técnica. “Não posso falar muito sobre o caso da Odilaine. Porém, acredito que vai ajudar bastante, não só Porto Alegre, mas outras perícias. Inclusive, esperamos que isso aconteça e, por este motivo, compartilhamos nosso conhecimento”, destacou.

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Um dos primeiros softwares da técnica foi criado pelo italiano Luca Bezzi e pelo francês Pierre Moulon. A ideia de recriar digitalmente os rostos a partir de fotografias surgiu com a Arc-team e a Equipe Brasileira de Antropologia Forense e Odontologia Legal (Ebrafol). A técnica foi utilizada pela primeira vez por Cícero e pelo especialista em Odontologia Legal, Paulo Miamoto, para recriar o rosto do Santo Antônio. Desde então, a equipe já deu “luz” ao rosto da Santa Maria Madalena, alguns santos peruanos e reconstruiu também os bicos de dois tucanos, entre outros trabalhos.

O caso
Odilaine foi encontrada morta em fevereiro de 2010 e, na época, a polícia concluiu que ela havia cometido suícidio. Após a morte do neto, Bernardo Boldrini, chocar o país em abril do ano passado, a mãe de Odilaine, Jussara Uglione, decidiu pedir reabertura do inquérito. Os parentes também contrataram perícias particulares que trouxeram novos elementos ao caso, inclusive, apontando que a carta suicida pode não ter sido escrita pela vítima.

O filho de Odilaine, Bernardo, foi visto pela última vez em companhia da madrasta, Graciele Ugulini, e da assistente social Edelvânia Wirganovicz. Presa, a assistente social confirmou que Graciele matou o menino com uma injeção letal de medicamentos e disse que ajudou a amiga a enterrar o corpo, em um parque, no município de Frederico Westphalen. As duas teriam também jogado soda cáustica sobre o cadáver. O Ministério Público Estadual do Rio Grande do Sul apontou que Leandro Boldrini, pai de Bernardo, foi o mentor do assassinato, tendo, ainda, ajudado a comprar os medicamentos e, posteriormente, auxiliado na ocultação do corpo do filho.

Leandro e Graciele foram acusados de homicídio quadruplamente qualificado, Edelvânia de homicídio triplamente qualificado e Evandro, irmão da assistente social, de homicídio duplamente qualificado. Todos respondem também por ocultação de cadáver e Leandro ainda por falsidade ideológica, uma vez que teria comunicado o desaparecimento do menino, mesmo sabendo que esta já estava morto. 

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