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sexta-feira, 6 de novembro de 2026
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Nortão: juiz determina desocupação de sede de distrito e índios prometem resistência

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O juiz federal Murilo Mendes determinou, hoje, a desocupação do prédio onde funciona a sede do distrito indígena de saúde, em Colíder (165 quilômetros de Sinop), ocupado desde janeiro por índios que pedem a exoneração da coordenadora distrital. Dois oficiais de justiça, acompanhados de um representante da Polícia Federal, entregaram a notificação e receberam as chaves do prédio dos indígenas. De acordo com a assessoria do magistrado, a desocupação foi pacífica.

Na decisão, Murilo aponta que tentou várias soluções pacíficas para a desocupação do prédio. “Convoquei os representantes das etnias, da Fundação Nacional do Índio (FUNAI), a advogada da União e o representante do Ministério Público para uma audiência. Os representantes da etnia tiveram amplo direito de palavra, apresentaram o que consideram seus problemas e fizeram suas reivindicações. Entrei em contato, em Brasília, com o secretario especial de Saúde Indígena, Antônio Alves de Souza, que se comprometeu a vir à região, desde que os índios primeiro desocupassem a área invadida. A comunidade indígena não se dispôs a desocupar a área”, relatou.

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O juiz federal ainda ressaltou que deu vistas do processo à Funai e, depois da manifestação, esperou “um tempo para ver se o impasse encontrava solução na esfera administrativa. Não houve, no entanto, avanço nenhum”.

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Contudo, um representante dos indígenas, que preferiu não se identificar, disse, ao Só Notícias, que os ocupantes voltaram para o prédio assim que os oficiais de justiça foram embora e só sairão mediante confronto. “Vamos ficar lá até segunda-feira e, se a polícia quiser mandar a gente embora, vão enfrentar resistência. Vai ser um banho de sangue. A gente só sai se a coordenadora for exonerada. Ninguém vai entrar naquele prédio enquanto a gente estiver lá”, afirmou.

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Conforme Só Notícias já informou, a principal rodovia que liga o Nortão a Cuiabá, a BR-163, também corre o risco de ser bloqueada mais uma vez por indígenas de nove etnias, que moram na região. Segundo o cacique, Raoni Metuktire, a coordenadora é responsável por paralisar os veículos utilizados em caso de emergências médicas. “Além disso, 28 funcionários terceirizados do setor administrativo estão sem receber salários desde janeiro, e alguns estão passando necessidades devido a tal situação”, afirmou.

Há cerca de três meses, a BR-163 foi bloqueada, entre Nova Santa Helena e Itaúba, pelos mesmos índios, e carretas, caminhões, ônibus, carros e motos ficaram impedidos de passar. Os manifestantes também cobravam a exoneração da coordenadora do Sesai e alegavam que ela teria suspendido contratos e convênios supostamente superfaturados, além de ter demitido alguns indígenas envolvidos nesta situação.

Os indígenas ainda reclamavam falta de assistência na área de saúde, obras de saneamento e postos de saúde inacabados; falta de remédios e profissionais, diminuição no número de viaturas, falta de infraestrutura nas bases de atendimento, ausência de combustíveis para carro, barco e avião, além de motores geradores e placas solares que utilizam para obter energia e conservar medicamentos e carência de horas de voo para urgências.

No total, são 4 mil indígenas nas aldeias da região.

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