Helicópteros da PM não podem voar por falta de pagamento do seguro
A Casa Civil afirma que a Segurança Pública do Estado atua no limite e o cenário é preocupante. Prova disso é que dois dos três helicópteros que a pasta possui não podem voar por causa de débito referente ao seguro e a maioria dos coletes balísticos utilizados pelos policiais militares está com prazo de validade vencido. O coronel da PM e futuro comandante geral da instituição, Zaqueu Barbosa, fala de dificuldades enfrentadas pela categoria e possíveis soluções em discussão com o governador Pedro Taques.
Segundo o secretário-chefe da Casa Civil, Paulo Taques, a falta de controle se instalou na segurança pública de Mato Grosso. Com extrema preocupação ele afirmou que o plano de gestão da área terá que ser revisto de maneira minuciosa. “A situação é mais preocupante do que imaginávamos. Algumas operações voltadas para o setor, que já estavam planejadas, tiveram que ser adiadas por falta de recursos e principalmente por causa da não operacionalidade dos nossos helicópteros, ocasionada por falta de pagamento do seguro obrigatório”. Taques acrescenta que só o débito do seguro soma mais de R$ 2 milhões.
Em visita ao Comando Geral da PM, o secretário-chefe foi informado que a maioria dos coletes balísticos utilizados pelos agentes já estava com a data de vencimento ultrapassada em no mínimo um ano. “Além disso, soube que por causa do número baixo de unidades, existe um revezamento de colete, o que é inadmissível”.

Ainda de acordo com Taques, a última gestão deixou a segurança de lado, chegando inclusive a reduzir o orçamento destino ao setor. “Até 2009 o governo destinava cerca de R$ 20 milhões para a Segurança Pública, esse orçamento caiu para R$ 5 milhões, o que mal arca com a folha de pagamento dos policiais”.
O sucateamento de viaturas também foi citado pelo secretário. Segundo ele, muitos dos carros são antigos e com motor de baixa potência, o que prejudica diretamente o desenvolvimento dos trabalhos. “É mais fácil deixar o carro e correr atrás dos bandidos. As viaturas não têm condições de uso e essa é uma das dificuldades que estamos tentando solucionar junto ao governador”.
O coronel Zaqueu Barbosa relata que os problemas apontados já são vistos como crônicos, pelo fato de se arrastarem por mais de década. “Nosso Estado cresceu de maneira desenfreada e ninguém esperava que alcançaria a população que tem hoje. O efetivo da Polícia Militar ficou parado no tempo, ao invés de crescer junto. Os governos anteriores jogaram um dos serviços públicos mais importantes para escanteio e fez questão de esquecer”.
Barbosa ressalta que o baixo efetivo tem sobrecarregado os poucos policiais e servido como incentivo para o déficit da categoria. “Grande parte das pessoas que presta o concurso da polícia é jovem e deseja alçar cargos melhores. Depois que entra na corporação e percebe a falta de estrutura e a sobrecarga de trabalho, logo estuda e passa para outros concursos, abandonando assim o cargo”.







