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sexta-feira, 6 de novembro de 2026
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Preso em Mato Grosso custa R$ 2,6 mil por mês

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O preso em Mato Grosso custa em média R$ 2,6 mil por mês, acima da média nacional, de R$ 2,4 mil. A preocupação com o preço do preso brasileiro, com variações por Estado, foi levantada pela ministra Cármen Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Ela comparou o preço do preso com o do estudante do ensino médio, que tem custo de R$ 2,2 mil, só que por ano.

Em Mato Grosso, o preso custa R$ 2,6 mil porque, no suposto trabalho de recuperação feito pelo sistema prisional, consome alimentação, água, energia, precisa de abrigo e entra também nesta conta o salário dos servidores públicos do setor.

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O presidente do Sindicato dos Servidores Penitenciários do Estado de Mato Grosso (Sindspen-MT), João Batista Pereira de Souza, opina que os presos daqui trabalham pouco e que se tivessem salário parte dele iria para uma conta de familiares e outra parte para a manutenção da unidade onde cumpre pena. Como já ocorre em alguns locais mas de forma muito tímida, na avaliação dele.

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Ele ressalta que, no sistema prisional de Mato Grosso, "a comida é boa, melhor do que muita gente come aqui fora" e no pagamento das refeições vai boa parte dos recursos do setor. Diz ainda que a marmita é a mesma inclusive para presos com curso superior, que ficam no Centro Ressocialização de Cuiabá (CRC), como o ex-governador Silval Barbosa (PMDB). No entanto, a condição do CRC, conforme o sindicalista, "é muito melhor" do que as demais.

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Juiz Geraldo defende o trabalho como saída. Critica que faltam projetos para ocupar a população carcerária como um todo, já que o projeto Nova Chance, que busca oportunidades de emprego para presidiário, atende apenas a uma parcela "ínfima". A Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh), responsável pelo sistema penitenciário, informa que o preço do preso pode girar de R$ 2 mil a R$ 6 mil, dependendo da unidade prisional. As menores são mais caras.

Ainda de acordo com a Sejudh, a intenção é racionalizar a entrada no sistema prisional, porque criminosos de menor periculosidade podem ser monitorados por tornozeleira evitando gastos altos na reclusão sem necessidade.

O juiz Geraldo Fidelis, da 2ª Vara de Execuções Penais de Cuiabá, avalia que o valor é mal empregado, devido à desorganização do sistema prisional. Ele também é entusiasta de modelos que colocam os presos para trabalhar. "Temos que trazer para cá modelos como o de Minas Gerais, onde o preso custa no máximo R$ 1,5 mil, porque trabalha e é remunerado, contribuindo para manutenção da unidade onde cumpre pena", comenta o magistrado.

Na visão dele, o que corrige essa distorção é organizar o sistema prisional. "Temos que ter regime fechado, para o caso necessário, o semi-aberto, que não temos, e o aberto, monitorado, mas com controle nas três esferas", defende, destacando que o regime mais caro é o fechado. O magistrado lamenta que, caso contrário, se continuar como está, “vamos manter este investimento alto sem que valha a pena, já que não havendo a recuperação é dinheiro jogado fora”.

Para a ministra Cármen Lúcia a mudança no sistema prisional e o devido investimento no educacional é importante para que um dia nas cidades brasileiras possamos viver sem medo. "É necessária a união dos poderes executivos nacionais, dos poderes dos estados, e até mesmo dos municípios, para que possamos dar corpo a uma das maiores necessidades do cidadão, que é ter o direito de viver sem medo. Sem medo do outro, sem medo de andar na rua, sem medo de saber o que vai acontecer com seu filho”, disse.

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