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sexta-feira, 6 de novembro de 2026
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Decisão do STF que autoriza prisão em 2ª instância divide opiniões em Mato Grosso

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O novo entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), que decidiu que a prisão de condenados deve ocorrer depois que a sentença for confirmada em um julgamento de segunda instância, ou seja, antes de se esgotarem todos os recursos possíveis da defesa, causou controvérsia no meio jurídico. Enquanto juízes entendem que a decisão pode representar o fim da impunidade e reforça a valorização do juiz de 1º grau, advogados defendem que a mudança desrespeita a Constituição Federal sobretudo no princípio da presunção da inocência.

Presidente da Associação Mato-grossense de Magistrados (Amam), o juiz José Arimateia Neves Costa explica que a decisão do STF representa uma atualização do entendimento da Corte conforme o momento vivido pela sociedade. “O STF é um tribunal político, diferentemente do juízo de 1º grau, que julga fatos e condutas. Neste caso, entendo que os ministros deram um passo à frente, uma mudança de entendimento que defendo”.

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Na mesma linha, a juíza Flávia Catarina Oliveira de Amorim Reis defende a medida que, para ela, valoriza o juízo em 1º grau. “Tínhamos a situação de quatro instâncias de recursos e nas superiores não há o julgamento do fato, mas apenas se houve um flagrante desrespeito às leis ou à Constituição”. A magistrada espera que a mudança se torne uma constante, uma vez que outras medidas adotadas para conter a “enxurrada” de recursos meramente protelatórios não funcionaram. “Tanto o Supremo quanto o Superior Tribunal de Justiça devem apenas ficar com casos de repercussão nacional, como a Lava Jato, por exemplo”.

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Já os advogados se mostram contrários à mudança. Presidente da seccional de Mato Grosso da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/MT), Leonardo Campos, classifica a data como triste. “O Supremo simplesmente rasgou a Constituição, o dispositivo que estabelece que o cidadão só pode ser considerado culpado após o trânsito em julgado do processo penal condenatório”.

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Como argumento, Campos explica que existe um grande número de processos reformados em tribunais superiores, ou seja onde as decisões de segundo grau são revistas e réus já condenados acabam absolvidos. 

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