Ambiente de testes · não indexado pelos buscadores
sexta-feira, 6 de novembro de 2026
Publicidade
E-01 · 1190 × 250E-01 · 336 × 100Super banner topo
Política

Arcanjo poderá ter pena reduzida se “abrir o jogo”

Compartilhe Facebook X Texto

O dia em que João Arcanjo Ribeiro chegará a Cuiabá – vindo de Montevidéu, onde foi capturado em abril de 2003, por força da extradição autorizada pela Suprema Corte do Uruguai – ainda ninguém sabe. O juiz federal Julier Sebastião da Silva, da 1ª Vara da Justiça Federal, disse nesta quinta-feira que pode ser a qualquer momento até domingo. Policiais federais e autoridades brasileiras já estão na capital uruguaia tratando da remoção. Enquanto isso, o magistrado – apontado como um dos pilares da operação que destronou o crime organizado no Estado – estuda uma estratégia de fazer o acusado a sair do silêncio. E uma das estratégias será a redução de pena em troca da chamada “delação premiada”.

O juiz Julier Sebastião e o Ministério Público Federal, especialmente o procurador José Pedro Taques, agora em São Paulo – um dos responsáveis diretos pelas investigações que levaram o Judiciário a decretar prisões, quebrar o “jogo do bicho” e intervir na jogatina das máquinas caça-níqueis – estão convencidos de que Arcanjo pode contribuir muito com uma assepsia das instituições. Até aqui, grande parte dos crimes fiscais, tributários e contra a ordem econômica, como lavagem de dinheiro e até financiamento de campanhas eleitorais passavam pelo então próspero empresário.

Publicidade
E-02 · 300 × 420

Por poucos crimes, Arcanjo já acumula 37 anos de prisão. Se fizer bem os cálculos e ajudar a justiça poderá ganhar liberdade com bem menos tempo. Se mantiver o silêncio, a exemplo do que aconteceu quando o magistrado e o procurador da República estiveram em Montevidéu para ouvi-lo, a situação pode se complicar ainda mais. Uma rápida busca no site da Justiça Federal em Mato Grosso mostrou que o nome de João Arcanjo Ribeiro e suas empresas de factoring aparecem em 15 processos.

Publicidade
E-03 · 600 × 100E-03 · 300 × 100
Leia tambémDefinida empresa que construirá ponte na avenida André Maggi em Sinop por R$ 13,8 milhões  

A “delação premiada” é considerada a arma mais poderosa contra o crime organizado em alguns países. Essa modalidade de confissão ou arrependimento, por exemplo, foi considerado fundamental para acabar com a “máfia” na Itália. No Brasil, porém, alguns estudiosos observarem que a legislação brasileira admite apenas a possibilidade de o juiz, ao término da ação penal, diminuir a pena do acusado delator ou conceder-lhe perdão judicial, sem qualquer participação de membros do Ministério Público. Em outras palavras, trata-se de uma “mera discricionariedade judicial”, no caso do interesse do magistrado.

Publicidade
E-05 · 300 × 250E-05 · 300 × 250

Em verdade, qualquer coisa que Arcanjo disser será lucro líquido para as investigações. Há, efetivamente, duas vertentes no comportamento que ele adotar ao se “instalar” preso em solo brasileiro: a primeira é que se ele falar tudo que sabe poderá envolver uma interminável lista de gente de influência empresarial e política do Estado. Por exemplo: um dos crimes de maior repercussão foi o assassinato do empresário Sávio Brandão, que, entre outros empreendimentos, era dono do jornal “Folha do Estado”. O crime de mando se prende no fato de o veículo de comunicação estampar constantemente acusações contra Arcanjo. Porém, fala-se que matar Brandão era imprescindível diante de provas que estariam prontas para ganhar as páginas de jornais. Se mantiver o silêncio, muitas coisas ficam sem ser esclarecidas.

A rigor, Arcanjo pode ser comparado a um “buraco negro” no universo, cujo glosário de envolvimento em crimes e irregularidades. Além de mortes, crimes contra o sistema financeiro, lavagem de dinheiro através de factorings, sobra para ele ainda acusações de envolvimento até com o narcotráfico. O “líder mafioso”, como foi tratado na imprensa do Uruguai, dispunha de um patrimônio avaliado em US$ 500 milhões. A fortuna é composta de fazendas, empresas, ações, títulos de crédito, um avião Cessna, um hotel de luxo em Miami e cerca de 16 milhões de dólares depositados em bancos do Brasil, Uruguai, Estados Unidos, Suíça e Ilhas Caimã.

Publicidade
E-04 · 600 × 100E-04 · 300 × 100

Mais sobre Política

Ver tudo →
Publicidade
E-06 · 300 × 250
Publicidade
E-08 · 970 × 250E-08 · 300 × 250Billboard antes do rodapé