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quinta-feira, 5 de novembro de 2026
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Política

Minc ataca DNIT devido a projeto acelerando licenciamento para estradas

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“Estupro”, “danoso” e “sinistro” foram alguns dos adjetivos que o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, utilizou hoje para qualificar o texto aprovado pela Câmara dos Deputados da medida provisória 452, que regulamenta e simplifica o licenciamento ambiental para recuperação de estradas. O ministro também se referiu à MP como o monstro “Frankenstein”, da literatura e do cinema, feito a partir de vários corpos, para classificar a proposta como caótica.

A matéria é o primeiro item da pauta para a votação no plenário do Senado. Caso o texto da Câmara “não seja corrigido pelos senadores”, Carlos Minc disse que pedirá ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que vete algumas das mudanças introduzidas pelos deputados.

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Minc participou de audiência pública na Comissão de Meio Ambiente do Senado, quando relatou as medidas de preservação ambiental e de aperfeiçoamento da legislação em vigor. Em entrevista, o ministro não poupou críticas ao Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes (DNIT), que teria negociado a matéria diretamente com os deputados.

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O ministro acusou o órgão, vinculado ao Ministério dos Transportes, de ter ignorado uma lista de dez pontos, encaminhado pelo Ministério do Meio Ambiente, para acelerar o licenciamento ambiental. “O DNIT agiu diretamente com os deputados e produziu um verdadeiro Frankenstein, inclusive com uma medida de decurso de prazo. Ou seja, se não licenciar uma estrada em seis meses fica automaticamente licenciada”, protestou o ministro.

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Para Carlos Minc, esta medida representa “um estupro” na legislação ambiental. “Nem no tempo da ditadura havia licenciamento por decurso de prazo. Espero que o Senado modifique isso, senão vamos pedir ao presidente Lula que vete essa medida”, prometeu Minc.

O próprio ministro acusou o Brasil de andar na contramão do mundo, no que diz respeito ao aperfeiçoamento da legislação ambiental. “Em todo o mundo, por causa da questão climática, há medidas de mais proteção das florestas, de mais proteção dos mananciais. Aqui no Brasil acontece algo na contramão do mundo e da história, há uma enxurrada de medidas que querem afrouxar, fragilizar e aniquilar a legislação ambiental brasileira”.

Outra medida provisória, que está em tramitação no Senado, a que trata da regularização de propriedades na Amazônia com até 1.500 hectares, é outra preocupação de Carlos Minc. Ele teme que a bancada ruralista tente retirar do texto a iniciativa de desapropriação das propriedades que porventura sofram ações de desmatamento.

Segundo o ministro, a bancada ruralista tentou suprimir esse artigo da medida provisória. Agora, no Senado, os ruralistas ganham força, uma vez que o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), entregou à senadora Kátia Abreu (DEM-TO) a relatoria da matéria. A senadora integra a bancada ruralista e é presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

“A senadora Kátia Abreu é presidente da CNA, mas eu espero que, por algum momento, ela esqueça isso e aja como uma senadora da República, olhando o bem do país. Nós não podemos aumentar o desmatamento da Amazônia porque isso seria o fim do Plano Clima e o fim do Fundo Amazônia”, disse o ministro. “Vamos pensar como brasileiros e não como representantes de corporações particulares”, completou.

 

 

 

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