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sábado, 7 de novembro de 2026
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Ibama resgata 80 animais e aplica R$ 1,6 milhão em multas a envolvidos com tráfico de aves em Mato Grosso

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O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) realizou, em Mato Grosso, a Operação Gênesis, voltada ao combate de cativeiros ilegais e do tráfico de aves silvestres, no início deste mês. Um total de 39 ações de fiscalização resultou em 22 autos de infração, 54 animais silvestres apreendidos e em cerca de 80 aves destinadas a Centros de Triagem de Animais Silvestres (Cetas). Também foram destruídas gaiolas e anilhas irregulares e suspensos diversos cadastros em sistema de controle. O valor das multas aplicadas aos infratores foi de aproximadamente R$ 1,66 milhão.

Um dos focos da operação esteve sobre espécies de alto valor no mercado clandestino, como bicudo-verdadeiro (Sporophila maximiliani) e curió (sporophila angolensis), aves apreciadas por seu canto e, frequentemente, utilizadas em competições. Ambas são classificadas como ameaçadas de extinção e estão incluídas em acordos internacionais de proteção, como a Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção (Cites), o que reforça a gravidade de sua captura e comercialização ilegal.

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Durante a operação, foi identificado o uso irregular do Sistema de Controle e Monitoramento da Atividade de Criação Amadora de Pássaros (SisPass). Os fiscais constataram cadastros desatualizados, registros incompatíveis com a realidade e movimentações fictícias de plantéis, evidenciando a utilização do sistema para encobrir práticas ilícitas.

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Entre as fraudes mais recorrentes está o chamado “esquentamento” de aves, prática pela qual animais capturados ilegalmente na natureza são inseridos no sistema como se fossem legalizados. Além disso, foram identificados casos de falsificação e adulteração de anilhas oficiais (dispositivos que funcionam como identidade das aves). De acordo com os agentes do Ibama, essas irregularidades indicam a existência de mecanismos organizados para dar aparência de legalidade a espécimes procedentes do tráfico.  

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A operação também revelou situações graves de possível favorecimento indireto ao comércio ilegal, como a manutenção de cadastros ativos de criadores já falecidos, com dispersão informal das aves entre terceiros, bem como registros vinculados a endereços inexistentes ou desatualizados. Em vários casos, a equipe não conseguiu realizar as vistorias devido à ausência de responsáveis, informações imprecisas ou dificuldades de acesso aos imóveis.  

Além das infrações administrativas, a fiscalização identificou diversas ocorrências de maus-tratos, que agravaram a situação dos envolvidos. Aves eram mantidas em condições inadequadas, em gaiolas pequenas ou superlotadas, sem higiene, com acúmulo de fezes, água contaminada e alimentação insuficiente. Muitos animais apresentavam sinais de estresse, debilidade, ferimentos e comportamento apático, indicando sofrimento prolongado.  

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