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sexta-feira, 6 de novembro de 2026
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Justiça determina plano para reduzir superlotação e garantir trabalho para detentos em Mato Grosso

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A pedido da Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso (DPEMT), a Justiça determinou que o Estado apresente, no prazo de 180 dias, um plano detalhado para acabar com a superlotação e melhorar a infraestrutura das unidades prisionais. A decisão liminar, proferida pelo desembargador Orlando Perry, atende a um habeas corpus coletivo impetrado pelo Grupo de Atuação Estratégica em Direitos Coletivos (Gaedic), Sistema Carcerário da DPEMT.

Durante as inspeções técnicas, a Defensoria identificou falhas graves: falta de médicos, alimentação inadequada, celas sem ventilação, superlotação extrema e uma fila de espera com mais de 1.300 pessoas privadas de liberdade aguardando por uma oportunidade de trabalho ou estudo apenas na Penitenciária Central do Estado (PCE). A decisão judicial acolheu os apontamentos da DPEMT ao reconhecer a violação massiva e sistemática de direitos fundamentais dos reeducandos.

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Para reverter esse cenário, o desembargador determinou que o Estado deverá efetivar o direito ao trabalho, cumprindo “rigorosamente a Lei Estadual nº 9.879/2013, que exige a reserva de 5% das vagas em obras e serviços públicos contratados pelo Estado para presos e egressos (ex-presidiários)”, além de criar um cronograma estrutural com datas para reformas estruturais e para a redução do número de presos por cela.

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O magistrado também determinou que o Estado garanta limpeza adequada e fornecimento de materiais básicos para os reeducandos, regularize o atendimento médico interno e a qualidade da comida servida. O juízo chamou as prefeituras que abrigam unidades penais para comprovarem se aderiram à Política Nacional de Atenção Integral à Saúde das Pessoas Privadas de Liberdade (PNAISP). A medida reforça que a atenção primária à saúde dos detentos também é um dever municipal.

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A Justiça determinou que todos os 142 municípios do estado informem se possuem leis locais que garantam cotas de emprego para egressos, visando combater a reincidência criminal nas cidades. O desembargador convocou ainda a Assembleia Legislativa, o Tribunal de Justiça, o Ministério Público e o Tribunal de Contas para integrarem o processo. Eles terão que prestar contas e provar se estão cumprindo a cota de 5% de contratação de presos e egressos em seus próprios contratos institucionais.

Para viabilizar as melhorias, a decisão confia na cooperação e integração entre as diversas instituições públicas. A Defensoria Pública informou que segue monitorando o caso de perto para assegurar que as condições dignas de custódia e as oportunidades de ressocialização saiam do papel e sejam respeitadas.

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