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sábado, 7 de novembro de 2026
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CENIPA divulga relatório de queda de avião no Nortão após piloto desviar da rede elétrica

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O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) concluiu o relatório de investigação da queda do avião agrícola Embraer-203, ocorrido em março de 2023. Na ocasião, após cerca de cinco minutos de voo, enquanto realizava pulverização, ao desviar de uma rede elétrica de baixa tensão, a aeronave colidiu em uma plantação numa fazenda em Porto dos Gaúchos (238 km de Sinop). O piloto saiu ileso. 

Segundo o relatório que Só Notícias teve acesso, dentre os fatores que causaram a queda, os investigadores concluíram que “aplicação de comandos, atenção e julgamento de pilotagem” contribuíram para o acidente. A análise apontou que o piloto possuía licença de piloto comercial e agrícola. Conforme a caderneta de voo, constantes no Sistema Integrado de Informações da Aviação (SACI) da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), o piloto estava qualificado e possuía um total de 1.642 horas e 44 minutos de experiência de voo, sendo mais de 400 horas no modelo. Os investigadores constataram também que o Certificado de Verificação de Aeronavegabilidade estava válido e a aeronave operava dentro dos limites de peso e balanceamento.

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Segundo relatos e imagens do momento do acidente, as condições meteorológicas eram propícias ao voo de aplicação de defensivos agrícolas. “Identificou-se, apenas, a constituição de camadas de nuvens formando teto em altitude acima da mínima para a realização do voo em condições visuais”. Devido à ausência de estação meteorológica nas proximidades da ocorrência, não foi possível determinar demais condições meteorológicas de vento, temperatura, dentre outras, descreveu os especialistas no documento.

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Os investigadores do CENIPA apuraram também que o voo da ocorrência era o sétimo do dia. Havia sido realizada uma primeira passagem de aplicação, conhecida como “tiro”. Após a curva de reversão de eixo de aplicação, conhecido como “balão”, o piloto teria observado uma variação no manômetro pressão de pulverização, localizado no painel de instrumentos, tendo fixado a atenção no interior da nacele no intuito de compreender a situação. Ao observar novamente à frente da aeronave, o piloto percebeu que havia uma rede elétrica de baixa tensão na sua proa.

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Dada a distância no qual a rede elétrica foi avistada e a altura em que a aeronave voava, o piloto, segundo a equipe de investigação, julgou que o desvio por baixo do cabo seria a melhor alternativa para evitar a colisão. Entretanto, ao realizar essa manobra, a aeronave colidiu com a plantação e posteriormente contra o solo.

Ainda na análise, foi constatado que as três pás das hélices apresentavam dobramento para trás e contra o sentido de giro a partir da metade da sua extensão longitudinal. Segundo o CENIPA, esta mecânica de dobramento das pás da hélice, associada às características da ocorrência, “era mais uma evidência de que o motor desenvolvia potência e que a colisão ocorreu em atitude de descida, provavelmente superior a cinco graus picados, coerente com a execução de uma manobra abrupta”. 

“Muito embora essa prática pudesse trazer vantagens operacionais e econômicas, fazia com que a aplicação fosse realizada em sentido perpendicular à rede elétrica naquela área, exigindo que o piloto realizasse desvios em altitude. Como consequência, havia uma elevação no risco da operação”, diz trecho do documento.

Por fim, a equipe constatou que a cobertura de nuvens observada no momento do acidente teria ocasionado uma redução na luminosidade, podendo ter tornado ainda mais difícil a visualização da rede elétrica. “A iluminação solar, diminuída pela cobertura de nuvens, pode ainda ter contribuído para a redução no tempo de resposta do piloto para evitar o obstáculo. A atenção concentrada no manômetro de pressão do sistema de pulverização, no interior da nacele, reduziu a atenção ao gerenciamento do voo. Como consequência, ao perceber-se muito próximo da rede elétrica para conseguir sobrevoá-la, o piloto optou pelo desvio por baixo, resultando na colisão contra o terreno”, concluiu.

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