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sexta-feira, 6 de novembro de 2026
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Política

Fabris diz que vídeo é de cobrança a Silval para pagar mansão em Jurerê Internacional

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O deputado estadual Gilmar Fabris (PSD) disse para a Polícia Federal e ao Ministério Público Federal, no dia em que foi preso por obstrução de justiça na 12ª fase da Operação Ararath (operação Malebolge), em setembro, que o suposto “mensalinho” que estava cobrando do ex-chefe de gabinete Sílvio Cézar Corrêa Araújo e que foi gravado em vídeo, se tratava de uma cobrança pessoal. Fabris alegou que no dia em que foi gravado estava apenas cobrando os R$ 2,5 milhões que faltavam ser pagos por Silval Barbosa a ele, referente a uma casa na região litorânea de Jurerê Internacional, em Florianópolis (SC).

Segundo o parlamentar, Sílvio Corrêa era o responsável por fazer o pagamento em nome do governador. O negócio teria sido verbal entre o deputado e Silval, que demonstrou interesse na casa após tê-la conhecido. Até aquele momento, o deputado teria recebido uma parcela de R$ 1 milhão, por meio de um dono de posto de combustível. Este teria telefonado para o deputado e pedido para ele comparecer em seu escritório. Ao chegar lá, o empresário teria explicado que Silval determinou que ele pagasse R$ 1 milhão para Fabris, o que foi feito em cheque.

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Ainda na versão do deputado, Silval nunca lhe contou que pagaria a casa com recursos oriundos de propina. Ele também ressaltou que não considera estranho fato de ter recebido o dinheiro por meio de um terceiro, segundo ele “porque sempre teve o senhor Silval como fazendeiro da região de Matupá, rico, dono de empresas de rádio e comunicação e, até então, esse era o conceito que tinha dele, de que era um homem sério e rico”.

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Conforme Gilmar Fabris, o imóvel em Jurerê Internacional estava registrado em nome do empresário Valdir Piran porque 10 anos antes de vender a casa para Silval, já a tinha vendido para Piran pelo valor de R$ 700 mil, quando a casa ainda estava em construção, na fase de acabamento.

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Ele contou que havia um combinado de que se quisesse retomar a casa, poderia pagar apenas o valor originário acrescido da correção pelo INPC, uma vez que Valdir Piran não tinha interesse no imóvel e apenas o comprou para ajudar Fabris, que não estava dando conta de concluir a obra. A falta de interesse seria comprovada com o fato de Fabris ter continuado na posse da casa, com o compromisso apenas de arcar com as despesas de manutenção.

Embora tivesse um acordo com Piran, Fabris admite que não repassou o R$ 1 milhão pago por Silval ao primeiro comprador, que havia sido informado da nova negociação e concordado, desde que recebesse o valor que pagou, corrigido pelo índice imobiliário.

Para sustentar o argumento de que o encontro gravado e entregue nas delações de Silval e Sílvio, o parlamentar destacou que no vídeo, Sílvio Cézar diz que o pagamento ficaria para a próxima segunda-feira e que o ex-governador deixou claro em sua delação que Fabris não pegou dinheiro naquela ocasião.

Apesar disso, o vídeo mostra que Gilmar Fabris questionava o motivo pelo qual os outros (supostamente os outros deputados) estavam recebendo o valor inteiro e ele só receberia R$ 100 mil na citada segunda-feira. Fabris disse que naquele dia não houve conversa sobre o encontro dele e Sílvio com nenhum outro deputado.

O parlamentar também contou aos procuradores e delegados que o que o ex-governador Silval Barbosa chama de “mensalinho” aos deputados em sua delação, se tratava, na verdade, de “verbas indenizatórias específicas” relativas aos gastos que eles tinham com viagens, traslados e outros gastos que não contavam com dotação orçamentária.

Segundo ele, as chamadas “verbas de custeio” eram comprovadas por meio de notas fiscais e eram apresentadas à ,esa diretora da Assembleia Legislativa de Mato Grosso. Fabris ficou 40 dias preso e foi solto no útimo dia 25 de outubro.

Em seu depoimento, Gilmar Fabris negou ter recebido valores em espécie a título de ressarcimento e explicou que esses gastos realizados no desempenho da atividade legislativa sempre foram pagos pela própria Assembleia. Ele afirmou ainda que o orçamento da ALMT nunca foi insuficiente, por isso, nunca houve necessidade de recebimento, por parte dos parlamentares, além do duodécimo da Casa.

Questionado sobre a delação de Silval Barbosa, que disse que o mensalinho havia sido institucionalizado, Fabris afirmou que o ex-governador se referia à verba de gabinete, totalizada em R$ 65 mil, que foi aprovada no final de 2015 e que atualmente não conta mais com prestação de contas por parte dos deputados e nem é fiscalizada pela Mesa Diretora.

Fabris declarou ainda que a delação de Silval de que os deputados iriam receberiam mensalinho, ou seja, propina, em troca do compromisso de dar a ele sustentação e votar projetos e matérias de interesse do governo na Assembleia, que isso “não faz sentido” porque na ocasião do vídeo gravado por Sílvio Corrêa, ele exercia a suplência da ALMT, logo, não poderia votar em nenhuma proposição.

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